sábado, 12 de junho de 2010

amor, em palavras,

gestos, olhares. como é que se escreve sobre amor quando se é impossível descrever o que eu sinto quando olho pra ele, a explosão de adrenalina que chega no meu coração? eu nem sei se a adrenalina algum dia passa pelo coração, e que se dane a adrenalina, só sei que meu corpo dá um jeito de me mostrar que ele é o que eu procurava em tantos outros homens por aí, porque não é possível explicar de outra forma essa coisa que me vem não sei da onde e me muda não sei porquê.
no final a gente percebe que o amor é exatamente aquela coisa louca dos filmes, que acontece às vezes na fila da padaria, como já me disse meu caro amigo Amarante: "e até quem me vê lendo o jornal na fila do pão, sabe que eu te encontrei...". Não, o amor não é como aqueles filmes desesperados com lânguidas declarações inconsequentes.
o amor é leve.
o amor é exatamente isso: a gente não encontra amor nas coisas complicadas, nos grandes feitos, nos shows pirotécnicos e desesperos - isso fica a cargo da paixão. medo de perder e vontade de ter também não é amor, é desejo de posse. tenho uma amiga que recebeu uma declaração de desejo de posse esses dias e isso só serviu pra ela perder o encanto pelo coitado do menino.
o amor é simples, está escrito nas equações mais sublimes, nos olhares mais quietos, no piscar dos olhos mais indecisos. o amor é aquilo que se diz quando se está em silêncio, aquilo que se faz quando se entrelaça as mãos e quando se beija a testa suada depois do amor. o amor é aquilo que cabe na infinidade de um abraço, na finitude de caminhar lado a lado, nos milhões de reais gastos no cinema, em passagens de avião só pra sentar na frente da tv e mudar de canal juntos no dia do tédio. o amor são todos os filmes trocados por beijos. mas ai deles, os filmes, serem prepotentes o bastante a ponto de achar que são melhores que beijos molhados e afetuosos no escuro.
o amor é aquilo que cabe no instante infinito de um beijo.
o amor é um grito no silêncio quando ninguém se pronuncia. o coração batendo só quer gritar: EI PORRA, AMO VOCÊ! VÊ SE ENTENDE E ME AMA TAMBÉM! o amor é só um sentimento sem teto e órfão que quando acha o nosso coração faz uma bagunça lá dentro querendo chamar atenção e ser adotado. bate panela, tambor. faz uma barulheira pra isso. e quando consegue ser adotado, nos torna as pessoas mais burras da face da terra. sim, o desejo de todo mundo é ser burro de amor.
ah o amor, que te faz chegar atrasado no trabalho, que te faz perder horas chorando (sim meu caro, o amor também pode doer!), que te faz desejar uma única pessoa no meio de milhares que venderiam a alma ao capeta para estar contigo. ah o amor, que nos faz adicionar ao nosso vocabulário palavras como "mozim", "paixão", "razão do meu viver", coisamarlindadaminhavida", "nenémdanamorada", entre outros apelidinhos pró-nojentice.
amor, o melodrama da vida. sim, esse sentimento tão poderoso que faz pessoas se aguentarem por anos a fio, que faz tudo mudar e torna tudo melhor (ou pior, dependendo de como é empregado).
o fato meu querido é que nenhum ser humano vive sem ele. pode ser o amor por uma mulher, por um homem, por um ser indefinido sexualmente; pode ser um amor por um animal, uma planta, por um hábito, por qualquer coisa em que se sinta amor em fazer, mas o amor está ali, intrínseco ao ser humano. sempre. e toda forma de amor é considerada justa.
um dia inventaram um dia pro amor. aliás, inventaram um dia pros amantes. o comércio aproveitou para vender mais, e quem não tinha um amor até tentou arrumar um, mas no final o que ficou foi só o suspiro verdadeiro, a essência. podem tentar deturpar o verdadeiro siginificado, vender o amor nas esquinas, transformar amor em sacanagem, vendê-lo como sexo, mas quem tem e sente, sabe que nao é nada disso.
o amor é só aquilo que se acha nas entrelinhas, aquilo que não se vê. aquilo que apenas se sente. aquilo que inspira tantos poetas e mortais, compositores e cantores de chuveiro, pichadores de muro e blogueiros. o amor é aquilo que faz a gente acreditar. o amor... é a luz do mundo.


feliz dia dos namorados!

(foto tirada do blog Divã )

11 comentários:

Leonardo Xavier disse...

Sei lá, até que deu para passar pelo dia dos namorados incolume. Como bom nerd solitário providenciei o fast food e fiquei vendo seriados. kkkk!

ps: me liguei naquela segunda parte do comentário não... nunca fui muito fã de Alice, kkkk

Patrícia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Patrícia disse...

E o que o amor não faz não é mesmo? Bom, nesse dia dos namorados me dei um descanso do meu maior amor por enquanto, meus livros..kkkk Mas concordo em grau, número e gênero com você amiga, o amor rege a humanidade ! Felicidades para você e seu namorado, que não tarde muito para eu encontrar o meu rsrs.

BRUNA MORAES disse...

Oiê! ^^! Ah, que lindo texto! Parabéns! Fique a vontade! Obrigada pela visita e pelos créditos! Beijooos e ótimo domingo! (:

Leonardo Xavier disse...

hum, depois que eu vi a cena eu me lembrei, eu acho que faz muitos anos que eu vi esse filme... kkkkk!

Monalisa Marques disse...

Lindo, lindo. O amor é exatamente isso. Leve como... sei lá, como ele próprio. É um suspiro, é dez milhões de suspiros e sorrisos que vêm do nada sem que a gente perceba.
Ai, ai...

Paulinha Leite disse...

Adorei teu espaco! Teus textos sao maravilhosos, inteligentes e criativos! É dificil achar alguem que escreva com emocao hoje em dia, e de uma forma ou de outra teus textos tocam quem le.
ADOREI!
Estou te seguindo pra acompanhar tuas postagens sempre!
Bjs e tudo de bom pra vc! :)

- sáminina. disse...

Paulinha, adorei o teu perfil cara! Você não é blogueira não? :(
Procurei o blog pra dar uma olhada mas não achei nada... enfim, muito obrigada pelo carinho! Seja sempre Muito bem vinda no País! Beijos!

Julia Melo disse...

ah o amor ... buá uiasdhiasuhdsuia
gostei, o nome do blog é show, tô seguindo ... beijos

Menina disse...

Você conseguiu expressar tudo que eu queria nesse Dia dos Namorados!

AMEI!!

Beijos, flor!

Leandro Luz disse...

Você fala com Amarante que eu respondo com Camelo:

"Assim que o amor entrou no meio, o meio virou amor."

Brilhante "definição" do amor!
(se é que isso existe)
Aliás, esse tipo de pretensão não é pra qualquer um.

;*