hoje eu só quero me deitar debaixo do vento, fechar meus olhos e pensar em você.
e os meus ímpetos, tão loucos... me levam, me conduzem, me perplexam, me deixam atormentadamente sem ar.


Enquanto a frente fria chega e o Amarante canta no rádio eu busco a consistência nos seus atos inconstantes, na inconsistência do amor. Acho que sou capaz de pensar o mundo na sua ausência, mas que também aprendo sobre a história da vida e dos povos na sua presença. Tudo aquilo sobre os Hapa Nui e os Incas, as histórias perdidas da América Latina e dos outros países, eu sei de todas elas. Mas acho que a única história que quero trilhar é a minha e a sua, a história de como cabemos tão bem numa cama pequena e com os pés roçando.
_a chuva cai impreterivelmente em todos os lugares. nada é mais importante nesse momento do que olhar os pingos escorrendo pelo vidro embaçado: o meu calor desgela as coisas frias.
_ouvir a janis joplin vibrando alto e os pingos caindo do chuveiro e escorrendo pelo meu rosto cansado dá sensação de ventura. e não me importa mais se todos estão em casa ou se fico imersa nesse armazém de solidão. fico aqui apenas, remoendo os prós e os contras das nossas brigas mal feitas por motivos mal forjados, causadas simplesmente por um ciúme doentio daquilo que não vivemos juntos e pela ânsia sedenta por aquilo que ainda viveremos.