terça-feira, 22 de junho de 2010

eu quero.


e quero porque preciso. e preciso porque não vivo sem.
eu quero ser acordada de madrugada com as suas mãos acarinhando meu íleo. quero que você me esquente quando houver frio e também quando calor. quero que você me leve ao mc donalds, que me deixe fazer macarrão aos quatro queijos e que cheire meu pescoço enquanto cozinho. eu quero te ensinar poesia, te fazer homem, trocar a armação do seu óculos brega. quero te ensinar a ouvir los hermanos. quero ouvir que sou a mulher mais linda do mundo de moletom, sem escovar os dentes e com o cabelo despenteado ao acordar. quero pegar na sua mão e te mostrar a vida, pegar na sua cintura e ser conduzida pelo caminho, pegar seu coração pra mim. eu quero que você me beije molhando meus lábios e que me faça cócegas nas pernas com a sua barba. e que acarinhe meus cabelos até eu te ouvir roncar, porque mesmo que você não consiga me fazer dormir, acho a coisa mais linda quando você se confronta com o seu sono precoce. quero ser sua amiga e estar junto, sua médica e te cuidar, sua parceira e te fazer entender que você pode estar errado mas que eu estou ali do lado. quero arrancar suas cutículas e seus cravos das costas até você reclamar que dói. e fazer sua sobrancelha com você reclamando que é coisa de gay. e ver o quanto sua bundinha é linda dentro da cueca box. quero ficar assistindo Pânico contigo e rindo da vida. quero seus abraços apertados, suas bermudas cor xadrez, quero te ver com aquele chapéuzinho do chaves. eu quero você combinante, brega ou chic, de roupa social. ou sem roupa, também serve. eu quero as entradinhas da sua cintura pra mim. e quero aquele sorriso pelo qual me apaixonei no natal. e o caráter pelo qual me apaixonei no ano novo. e a empolgação pela qual me apaixonei no carnaval. e o cuidado pelo qual me apaixonei em todos os outros dias. e o carinho com que você me levou a juntar tudo isso e te amar.
eu quero! ouvir o barulho do seu carro quando você chega do trabalho. fazer um café de verdade, humano e não aquela coisa robótica da cafeteira. eu quero acordar do seu lado, dormir do seu lado, estar do seu lado. e te dizer para não roncar porque senão não durmo. e te pedir para não fazer aquilo novamente. quero que você ande na linha, quero que você seja aquele pelo qual eu pude mostrar o que eu era. quero o conforto do seu abraço, o afeto dos seus beijos na minha testa, o tesão de te ver mordendo os lábios e franzindo a testa quando reclamo. quero ter o direito de reclamar. e de sentir raiva e medo. e quero que o seu único direito nessas horas seja me confortar.
eu quero amor incondicional, sem escalas de avião, sem aeroportos. e quero isso em tempo integral, 24 horas por dia, 7 dias na semana, 31, 30, 29 ou 28 dias no mês; e 365 dias no ano, por muitos longos anos, por toda a minha vida.
quero dividir minha cereja, meu chocolate, minha metade da laranja, minha metade da cama, minha metade. e quero exclusividade completa, incansavelmente até que você me respire me e me viva. quero ser respirada. cheirada. dançada. vivida. amada.
quero tudo isso numa velocidade maior que a da luz. e que você me traga o livro que está ali na mesa, e o café na cama amanhã e o seu corpo junto ao meu agora, faz favor. quero isso tudo na infinidade de um segundo, enquanto você pisca aqueles olhos expressivos me dizendo o quanto quer passar o resto dos seus dias comigo. quero minha pele como o seu colchão, meus quadris como seu travesseiro, quero meus braços como seu aconchego e o meu amor como o seu apoio.
eu quero e quero já, e eu sou mimada e quero agora. tudo isso, da forma como sonhei e imaginei, expressamente como fast food, pra eu devorar em bocadas gigantescas e não deixar sobrar nada pra ninguém. eu quero você pra mim.

domingo, 20 de junho de 2010

não-post.


eu enfiava o miojo guela abaixo sem o menor apetite. e pra piorar tudo, o /carascomoeu não postou nada hoje que me deixasse um pouco mais apaixonada pela vida ou sei lá em que estado de espírito que ele costuma me deixar.
só sei que eu só conseguia pensar na raiva que sentia por Recife, emails e Julianas nos últimos tempos.
o notebook me avisou que eu estava a 15 min sem escrever nada com a proteção de tela. é, aquela mesmo que fica rodando um texto com o salmo 21 ou coisa do gênero. mais entediante impossível.
pensar, pensar. porque tanta vontade de escrever quando as palavras faltam? porque essa sensação de que falta algo na vida, de que às vezes pode-se estar correndo atrás dos sonhos errados?
será que viver é... isso? ficar olhando o balão colorido ir embora pelo céu?
sei lá, nunca se sabe ao certo.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

insegurança, pra que te quero?

ela acordou de mãos dadas comigo enquanto o despertador gritava 5:30 da manhã. no escuro do quarto, piscamos os olhos e nos perguntamos mais uma vez: porquê?
ela me viu trocar de roupa, sentada na cama ao meu lado. elogiou as minhas linhas de expressão na testa, sim, aquelas que ficam estampadas quando preocupação é algo constante.
mesmo no frio da rua, ela não me abandonou. ficou firme como uma casa edificada sobre uma pedra. queria eu que não.
ao final de cada uma das seis aulas, lá estava ela me lembrando de que me esperava.
a sirene soou, arrumei meus pertences e caminhei na multidão de desesperados e já ali ela havia me encontrado.
fazendo juntas o caminho da minha casa, que agora dividíamos como irmãs, a escutei dizer calada que seremos amigas de longa data e que ela só poderia voltar pra sua vida quando fosse substituída. em certo momento até vacilei, pensando em concordar com esta hipótese. sei lá, às vezes era bom ter companhia.
passaram-se 3 semanas, 3 dias, 3 meses e eu me cansei dela. será mesmo que não ia me deixar mais? cansei-me de suas paranóicas fora de hora, de seus avisos verdadeiros e inconvenientes. resolvi viver na mentira. sim, a ignorância movia o mundo e eu não queria saber de mais nada. sofrer o menos possível. viver por enquanto assim: quem muito quer, pouco consegue.
insisti perante ela quem a substituiria. decepcionada por eu estar quebrando os afetivos laços que construímos esses últimos meses, ela relutou. no final porém, precisava partir também - me confessou que era a confiança, a única que seria capaz de substituí-la.
procurei em todas as esquinas, ruas, avenidas, salas, bibliotecas, livros, consolos, copos de cerveja e conversa com amigos. tudo em vão. o primeiro lugar que eu deveria procurar era dentro de mim. logo o mais difícil e complexo.
bom, por enquanto ainda não achei. por isso a Insegurança ainda está aqui como companheira das horas de meus tempos. e eu sigo nessa busca, que eu não sei (e nem saberei até terminada) o quanto dura. só sei que dura.

sábado, 12 de junho de 2010

amor, em palavras,

gestos, olhares. como é que se escreve sobre amor quando se é impossível descrever o que eu sinto quando olho pra ele, a explosão de adrenalina que chega no meu coração? eu nem sei se a adrenalina algum dia passa pelo coração, e que se dane a adrenalina, só sei que meu corpo dá um jeito de me mostrar que ele é o que eu procurava em tantos outros homens por aí, porque não é possível explicar de outra forma essa coisa que me vem não sei da onde e me muda não sei porquê.
no final a gente percebe que o amor é exatamente aquela coisa louca dos filmes, que acontece às vezes na fila da padaria, como já me disse meu caro amigo Amarante: "e até quem me vê lendo o jornal na fila do pão, sabe que eu te encontrei...". Não, o amor não é como aqueles filmes desesperados com lânguidas declarações inconsequentes.
o amor é leve.
o amor é exatamente isso: a gente não encontra amor nas coisas complicadas, nos grandes feitos, nos shows pirotécnicos e desesperos - isso fica a cargo da paixão. medo de perder e vontade de ter também não é amor, é desejo de posse. tenho uma amiga que recebeu uma declaração de desejo de posse esses dias e isso só serviu pra ela perder o encanto pelo coitado do menino.
o amor é simples, está escrito nas equações mais sublimes, nos olhares mais quietos, no piscar dos olhos mais indecisos. o amor é aquilo que se diz quando se está em silêncio, aquilo que se faz quando se entrelaça as mãos e quando se beija a testa suada depois do amor. o amor é aquilo que cabe na infinidade de um abraço, na finitude de caminhar lado a lado, nos milhões de reais gastos no cinema, em passagens de avião só pra sentar na frente da tv e mudar de canal juntos no dia do tédio. o amor são todos os filmes trocados por beijos. mas ai deles, os filmes, serem prepotentes o bastante a ponto de achar que são melhores que beijos molhados e afetuosos no escuro.
o amor é aquilo que cabe no instante infinito de um beijo.
o amor é um grito no silêncio quando ninguém se pronuncia. o coração batendo só quer gritar: EI PORRA, AMO VOCÊ! VÊ SE ENTENDE E ME AMA TAMBÉM! o amor é só um sentimento sem teto e órfão que quando acha o nosso coração faz uma bagunça lá dentro querendo chamar atenção e ser adotado. bate panela, tambor. faz uma barulheira pra isso. e quando consegue ser adotado, nos torna as pessoas mais burras da face da terra. sim, o desejo de todo mundo é ser burro de amor.
ah o amor, que te faz chegar atrasado no trabalho, que te faz perder horas chorando (sim meu caro, o amor também pode doer!), que te faz desejar uma única pessoa no meio de milhares que venderiam a alma ao capeta para estar contigo. ah o amor, que nos faz adicionar ao nosso vocabulário palavras como "mozim", "paixão", "razão do meu viver", coisamarlindadaminhavida", "nenémdanamorada", entre outros apelidinhos pró-nojentice.
amor, o melodrama da vida. sim, esse sentimento tão poderoso que faz pessoas se aguentarem por anos a fio, que faz tudo mudar e torna tudo melhor (ou pior, dependendo de como é empregado).
o fato meu querido é que nenhum ser humano vive sem ele. pode ser o amor por uma mulher, por um homem, por um ser indefinido sexualmente; pode ser um amor por um animal, uma planta, por um hábito, por qualquer coisa em que se sinta amor em fazer, mas o amor está ali, intrínseco ao ser humano. sempre. e toda forma de amor é considerada justa.
um dia inventaram um dia pro amor. aliás, inventaram um dia pros amantes. o comércio aproveitou para vender mais, e quem não tinha um amor até tentou arrumar um, mas no final o que ficou foi só o suspiro verdadeiro, a essência. podem tentar deturpar o verdadeiro siginificado, vender o amor nas esquinas, transformar amor em sacanagem, vendê-lo como sexo, mas quem tem e sente, sabe que nao é nada disso.
o amor é só aquilo que se acha nas entrelinhas, aquilo que não se vê. aquilo que apenas se sente. aquilo que inspira tantos poetas e mortais, compositores e cantores de chuveiro, pichadores de muro e blogueiros. o amor é aquilo que faz a gente acreditar. o amor... é a luz do mundo.


feliz dia dos namorados!

(foto tirada do blog Divã )

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Ela sorriu consigo mesma

saindo da loja, animada, com a lingerie de cerejinhas desenhadas na sacola. Se imaginou com a franja caída na testa, vestida com elas, pronta para ser amada. Breve doce sonho.
Caminhou mais algumas ruas pela avenida movimentada e entrou no banco.Luz trepidante, cheiro de ar-condicionado e papel picado. Ela se aproximou do caixa eletrônico e avistou um envelope cor acre, um pouco volumoso. O tomou nas mãos e observou quem poderia ter esquecido aquilo ali, mas só estavam ela e o segurança da porta giratória.
Com o cuidado de quem pega uma coisa que vai quebrar, observou curiosamente o envelope, imaginando o teor de seu conteúdo. Abriu-o por fim, dando um pulo de susto ao perceber que haviam ali, no mínimo, quinze mil reais em notas de cinquenta. Caminhou lentamente até a porta, observando se o dono estaria por ali, se por acaso teria voltado para buscar o envelope.
Ninguém no corredor. Ninguém na portaria. Ninguém. Seria um presente dos Deuses para realizar o tão desejado sonho de ir passar o dia dos namorados com o seu, no outro estado?
Andou pelas ruas da Cidade Alta imaginando o fim de semana romântico. Imaginando-se no avião, depois chegando e vestindo a lingerie. Tudo programado, tudo o que o envelope acre poderia pagar. Breve doce sonho.
Ao atravessar a praça um caminhão furou o sinal e apontou seu parachock exatamente em sua direção. Num piscar de olhos todos os pensamentos anteriores se passaram na mente da menina romântica por um fio e ela caiu. Barulho de buzina, gente gritando, pombas assustadas e suspiro de menina.
Caída no meio da avenida, tudo o que dava pra ver era a menina no chão entre a multidão. E ali jaziu ela, restando apenas lingerie vermelha e dinheiro do envelope acre ao vento.

terça-feira, 1 de junho de 2010

ali.

ausente. só na névoa esbranquecida que se derramava pelo vento da tarde. gelado, de cortar.
quando a dor é deveramente grande escorre pelos olhos.

sábado, 15 de maio de 2010

luz.


O sol enche as construções da minha ilha de dourado, enquanto se despede para dar lugar ao crepúsculo. Os prédios, as casas, pontes, ruas, elevados, são todos preenchidos de um ouro que não se compra. Daí me lembram, me confirmam, que sempre há... um lugar ao sol.
A brisa já não está mais abafada. A proximidade do inverno trouxe um ar gélido a essa cidade carregada de maritmidade. E a melodia do rádio se parece com um som europeu; desses que você ouve e visualiza pessoas bêbadas cantando juntas numa cabana nas montanhas, enquanto a neve cai lá fora contornando a natureza. Que ironia do destino, nessa capital tão isolada, tão cheia de verbos 'pocar', de canelas-verdes e panelas de barro, ainda surgem figuras carregadas de sentimentos singulares. É... por incrível que pareça, há também amor aqui.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

nome sem nome.

quero todos os gostos. todos os cheiros, todos picantes. quero todos os beijos da boca com o gosto dele. quero cereja em caldas. quero cerveja. eu quero andar, sentir, tocar. quero chocolate e presente. quero amor. quero cabelo e brinco e rímel; blush nas maçãs do rosto. rosto pra poder sorrir. quero sentir. vento, tempo, calor, àgua, nós. quero os melhores venenos. vinhos. licores. sabores. quero bacalhau e torta de limão. praia e panela de barro. quero pedir uma seda. quero ver dreads e sentir o sol. quero passear de mãos dadas e ver. andar. correr. quero cheiro de joop!. esmalte cor gabrielle. j'adore perfume. vestido longo na mamãe. tv. sofá aconchegante. quero aquele abraço que cabe o mundo dentro, cheio de amor.

terça-feira, 20 de abril de 2010

um bocejo..


vale mais do que mil palavras!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

JK.

O Distrito Federal me roubou o coração; o tomou de assalto com toda a força, pegou pra ele e se apoderou. Ali, depois do lago, é onde ele se esconde num cativeiro amplo e aconchegante. Resta saber se essa eterna vontade de ficar vai ser infindável como parecem as águas do Paranoá nos fins de março...

quarta-feira, 17 de março de 2010

ar condicionado.


enquanto eu vou escrevendo, o ar condicionado do cyber café me gela os ombros e me faz refletir sobre uma questão tão velha que chega a ser atual:

o mundo é frio e cruel.


sábado, 6 de março de 2010

enjambement.


trans
bordamentos são
as bordas dos
pensa
mentos.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

um ponto.


e o cerrado, antes tão distante, se transforma agora num mar de saudade.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

carnaval.

Viver de noite me fez senhor do fogo.

A vocês, eu deixo o sono.

O sonho, não!

Este eu mesmo carrego!

@Paulo Leminski.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Brasil.


O Zé Pereira chegou de caravela
E preguntou pro guarani da mata virgem
— Sois cristão?
— Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte
Teterê Tetê Quizá Quizá Quecê!
Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu!
O negro zonzo saído da fornalha
Tomou a palavra e respondeu
— Sim pela graça de Deus
Canhém Babá Canhém Babá Cum Cum!
E fizeram o Carnaval.

(Primeiro Caderno de Poesia do Aluno, Oswald de Andrade).


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

big bang.

e era apenas pó, areia, mar e conchinhas. uma mistura sinestésica de líquido e sólido. toda uma dúvida, uma promessa. toda ela inteira, pela metade. toda pronta e indecifrável. toda carnaval.
e era eu e você, ele e nós. éramos todos. éramos sós. éramos acompanhados e desacompanhados. éramos todos. inteiros. pela metade. uma fração. de segundo, de momento, de tempo.
e eu que gosto do cheiro, do inteiro, do todo, do completo. eu que me vou com pernas e pés, com coração e mãos. eu que gosto do azedo, do amargo, do doce e do salgado. eu que gosto do sorriso e que gosto de gostar. eu que gosto da luz e da chuva, do abraço e do beijo. eu que desejo.
e ele que gosta de aviões e automóveis. de viagens e fotografias. de rock e de samba e de carnaval. ele que é mar, que é céu, que é vento, que é seu. ele que é meu, que é nosso. constante e alucinante. ele que é todo sorriso e todo abraço. todo carinho. todo laço.
e eles que eram casais. e elas que eram apenas elas. que gostavam de campings e barracas. de fogueiras e fogos. eles todos que eram companheiros. amigos, peraltas, festeiros. eles que eram e seriam sempre eles. na Bahia, no Nordeste, no Sudeste. no Rio de Janeiro e no cerrado.
eles que eram todos e tantos, loucos e santos. e aquela areia e aquele pó. e tudo mais aquilo que se mistura e se dissolve mas continua eternamente heterogênio - tudo aquilo se juntou e formou o big bang do amor.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

acontecido.

acontece que a brisa do verão se tornou muito mais agradável do que eu imaginava. e as minhas poses e apelos se misturaram ao vento quente nos cabelos, e aos sorrisos que eu solto sem ter motivos nem porquês. nunca, o fato de esperar tornou-se tão confortável e gostoso.
deitar-se num gramado verde no fim da tarde num estado de êxtase. lembrar do passado, pensar no futuro, com uma esperança imensurável de dias melhores. poder sentir o verde da grama te abraçando, te afagando a respiração como um amigo afetuoso. sentir que os raios do sol apadrinham nossas maçãs do rosto numa dança leve das Américas - o velho mundo. abraçar o futuro com a certeza de que algo muito maior e maravilhoso está para acontecer. muito mais que uma anunciação: uma profecia.

e tenho dito.

sábado, 16 de janeiro de 2010

diário de bordo 3.

o degradê dos relâmpagos e raios se mistura às luzes no céu da cidade. os prédios, tão sérios e desafiantes, agora se escondem no breu da chuva. essa cidade é fria. fria como uma mudança louca de tempo, onde todos são meros conhecidos. jamais amigos. no máximo, colegas.
o jeito de as pessoas se relacionarem aqui é frio e estranho. e isso emana em tudo: nas ruas, avenidas, nos carros, na chuva; na própria cidade, fria em si.
pudera eu encontrar calor na noite longa, madrugada. lá onde a batida não cessa e as pessoas têm cabelo verde e beijam-se entre si. homens e mulheres. homens e homens. mulheres e mulheres. uma mistura louca, bem a cara disso aqui.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

diário de bordo 2

São Paulo é uma cidade louca. louca e surrealista e tremendamente alucinante.
um fim de tarde púrpura degradê com um trânsito caótico. carros e mais carros, motos, velocidade, avenidas. espelhos e refletores. pessoas. pessoas que te encaram, que te engolem, que te beijam e te desprezam. pessoas que te olham e te tratam bem. tudo isso com um museu de arte moderna e outro de contemporânea, envolto por um parque bucólico e alternativo.
a vista dos prédios durante o dia, tão sérios e concretos. tão de concreto. dá lugar a vista dos prédios à noite, transformada num paraíso de luzes neon multicoloridas, combinadas e descombinantes, onde o vento transita transitoriamente enquanto o tempo cria seus pontos cruciais no destino. um ar desafiante. sim, isso é São Paulo.
com seus arranha-céus, arranhando a minha garganta. quem sabe num futuro não viria me abrigar entre esse mundo de concreto? aço, ferro, mansões e periferias. todas elas ligadas por avenidas brasis e paulistas. todas brasileiras. o ar das grandes cidades me deixa adrenálica; me desafia a sobreviver... a viver.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

SAMPA!



"...qual é a cor de São Paulo?
São Paulo é tudo menos cinza. É vermelha quando o trânsito pára. Verde quando no meio da correria dá tempo de respirar. Amarela pra namorar o pôr-do-sol. Azul-neon pra matar a fome no meio da noite. Tem todas as cores do mundo quando a gente precisa. Um album enorme de fotografias malucas, bonitas, melancólicas, mal acabadas e muitas vezes tiradas com pressa, justamente pro mistério da cidade continuar. O que eu mais gosto em São Paulo é que nada aqui é óbvio. O cara de terno é surfista profissional; o mendigo é PHD; o taxista é poeta; o feirante é tenor e o vizinho maluco é gente boa. Se bem que aqui as coisas parecem ontem, justamente porque a cidade tá toda misturada, mexida, reinventada o tempo todo. Quase não tem espaço, mas a gente sempre encontra um jeitinho pra amar e pra ser feliz..."