acontece que a brisa do verão se tornou muito mais agradável do que eu imaginava. e as minhas poses e apelos se misturaram ao vento quente nos cabelos, e aos sorrisos que eu solto sem ter motivos nem porquês. nunca, o fato de esperar tornou-se tão confortável e gostoso.
deitar-se num gramado verde no fim da tarde num estado de êxtase. lembrar do passado, pensar no futuro, com uma esperança imensurável de dias melhores. poder sentir o verde da grama te abraçando, te afagando a respiração como um amigo afetuoso. sentir que os raios do sol apadrinham nossas maçãs do rosto numa dança leve das Américas - o velho mundo. abraçar o futuro com a certeza de que algo muito maior e maravilhoso está para acontecer. muito mais que uma anunciação: uma profecia.
e tenho dito.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
sábado, 16 de janeiro de 2010
diário de bordo 3.
o degradê dos relâmpagos e raios se mistura às luzes no céu da cidade. os prédios, tão sérios e desafiantes, agora se escondem no breu da chuva. essa cidade é fria. fria como uma mudança louca de tempo, onde todos são meros conhecidos. jamais amigos. no máximo, colegas.
o jeito de as pessoas se relacionarem aqui é frio e estranho. e isso emana em tudo: nas ruas, avenidas, nos carros, na chuva; na própria cidade, fria em si.
pudera eu encontrar calor na noite longa, madrugada. lá onde a batida não cessa e as pessoas têm cabelo verde e beijam-se entre si. homens e mulheres. homens e homens. mulheres e mulheres. uma mistura louca, bem a cara disso aqui.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
diário de bordo 2
São Paulo é uma cidade louca. louca e surrealista e tremendamente alucinante.
um fim de tarde púrpura degradê com um trânsito caótico. carros e mais carros, motos, velocidade, avenidas. espelhos e refletores. pessoas. pessoas que te encaram, que te engolem, que te beijam e te desprezam. pessoas que te olham e te tratam bem. tudo isso com um museu de arte moderna e outro de contemporânea, envolto por um parque bucólico e alternativo.
a vista dos prédios durante o dia, tão sérios e concretos. tão de concreto. dá lugar a vista dos prédios à noite, transformada num paraíso de luzes neon multicoloridas, combinadas e descombinantes, onde o vento transita transitoriamente enquanto o tempo cria seus pontos cruciais no destino. um ar desafiante. sim, isso é São Paulo.
com seus arranha-céus, arranhando a minha garganta. quem sabe num futuro não viria me abrigar entre esse mundo de concreto? aço, ferro, mansões e periferias. todas elas ligadas por avenidas brasis e paulistas. todas brasileiras. o ar das grandes cidades me deixa adrenálica; me desafia a sobreviver... a viver.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
SAMPA!

"...qual é a cor de São Paulo?
São Paulo é tudo menos cinza. É vermelha quando o trânsito pára. Verde quando no meio da correria dá tempo de respirar. Amarela pra namorar o pôr-do-sol. Azul-neon pra matar a fome no meio da noite. Tem todas as cores do mundo quando a gente precisa. Um album enorme de fotografias malucas, bonitas, melancólicas, mal acabadas e muitas vezes tiradas com pressa, justamente pro mistério da cidade continuar. O que eu mais gosto em São Paulo é que nada aqui é óbvio. O cara de terno é surfista profissional; o mendigo é PHD; o taxista é poeta; o feirante é tenor e o vizinho maluco é gente boa. Se bem que aqui as coisas parecem ontem, justamente porque a cidade tá toda misturada, mexida, reinventada o tempo todo. Quase não tem espaço, mas a gente sempre encontra um jeitinho pra amar e pra ser feliz..."
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
diário de bordo - 1.
05:57 da manhã. 30 de dezembro. o sol começa a encher o céu de luz. estamos num café na estrada, rumo a Vila de Caraíva, no Estado da Bahia - Brasil.
5 jovens. Viagem. Praia. Férias. Diversão. Ano Novo. Amizade. Sol. Mar. FELICIDADE.
5 jovens. Viagem. Praia. Férias. Diversão. Ano Novo. Amizade. Sol. Mar. FELICIDADE.
sorrir, vem colorir solar..

eu cheguei atrasada. e o trem bala dos amores de verão me embalou. mas eu cheguei atrasada. peguei a metade da música. a metade da maçã pela metade. a metade dos dias de férias. eu cheguei atrasada em mim. e cheguei atrasada nos outros. cheguei atrasada nas explicações. cheguei atrasada para as juras de amor.
perdi as cartas, que ficaram atrasadas. cheguei atrasada na paixão. e nos meus amigos, que viram meu atraso. cheguei atrasada no ritmo que embalou. cheguei atrasada no show. na praia. na casa toda decorada de tons terrosos. cheguei atrasada no ar condicionado e no quarto com cheiro de incenso. eu cheguei atrasada no mundo. sempre.
mas mesmo chegando atrasada, recuperei todos os momentos. busquei lá no fundo as juras e cartas perdidas. apertei o replay da trilha sonora. e ganhei a outra metade da maçã, m e r e c i d a m e n t e.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
existe um abismo.
tinha um abismo no meio do caminho.
no meio do caminho tinha um abismo.

os meus amigos estão doentes. um no hospital, um com câncer, outro com infecção na garganta. os países estão doentes. uns com muito dinheiro, outros com muitas armas, outros com muita fome. a sociedade está doente. uma parte é medíocre. a outra é hipócrita. e a outra é oprimida. os amores estão doentes. uns amam demais, outros de menos. e alguns são doentes pelo ciúme, pela possessividade. as minhas amigas estão doentes. algumas só pensam em homem; outras, só em academia; e o resto só pensa em se livrar da "chatice" faculdade, dos livros, dos professores e da responsabilidade. como se um dia ela não tivesse que chegar, né.
a natureza está doente. animais morrem. florestas morrem. todos morrem.
todos morrem por dentro e por fora. morrem física ou psicologicamente. morrem através de valores ridículos, por atitudes ridículas. morrem por serem ridículos.
o mundo está doente. o mundo está morto. o mundo é ridículo.
depois de não me perguntar mais isso desde a minha infância, eu me permito:
o que eu to fazendo nesse lugar?!
no meio do caminho tinha um abismo.

os meus amigos estão doentes. um no hospital, um com câncer, outro com infecção na garganta. os países estão doentes. uns com muito dinheiro, outros com muitas armas, outros com muita fome. a sociedade está doente. uma parte é medíocre. a outra é hipócrita. e a outra é oprimida. os amores estão doentes. uns amam demais, outros de menos. e alguns são doentes pelo ciúme, pela possessividade. as minhas amigas estão doentes. algumas só pensam em homem; outras, só em academia; e o resto só pensa em se livrar da "chatice" faculdade, dos livros, dos professores e da responsabilidade. como se um dia ela não tivesse que chegar, né.
a natureza está doente. animais morrem. florestas morrem. todos morrem.
todos morrem por dentro e por fora. morrem física ou psicologicamente. morrem através de valores ridículos, por atitudes ridículas. morrem por serem ridículos.
o mundo está doente. o mundo está morto. o mundo é ridículo.
depois de não me perguntar mais isso desde a minha infância, eu me permito:
o que eu to fazendo nesse lugar?!
domingo, 20 de dezembro de 2009
lets dance.

vamos fazer uma festa na praia. vamos convidar o índio da mata virgem, o preto do terreiro, a freira do Convento da Penha. vamos chamar o bispo, o Papa, a Chiquita Bacana. vamos convidar Jesus. vamos chamar o Diabo. vamos exigir que ele leve o seu garfo e o seu fogo para fazer as bebidas flamejantes. vamos dançar. vamos chamar amigos loucos e alucinados, que tragam a erva nossa de cada dia e muita xixa. e cerveja. e vodka. e tequila. e xiboquinha. e suco gummy. e champagne pra brindar a vida. e o máximo de alegria para ser compartilhada. e tudo de alcoolico que existir. vamos levar caixas de som, deixar os decibéis tomarem conta de nossas mentes. vamos fazer uma fogueira, pular no mar de madrugada, fazer amor. vamos rodar com os amigos, vamos nos dar as mãos. vamos embora pra Passárgada! vamos contratar músicos com violinos e saxofones e trompetes. vamos chamar o Jorge para animar a festa. e violões e percurssões e tambores e batuques. vamos pegar o forró e misturar com o samba do criolo doido. aí a gente adiciona mpb e um pouco de música clássica, rock e bossa nova. vamos ouvir a música psicodélica e compartilhar desse sentimento de união. vamos fazer uma festa que não acabe nunca. que dure incansáveis 24h de um dia, por 30 e poucos dias no mês, por 12 meses ao ano, por, no mínimo, 95 anos. vamos transformar o tempo numa piscadela atemporal. aí a nossa festa vai durar pra sempre. vamos comer algodão doce. e rir até a barriga doer. vamos viver. vamos ir, quero ver. vamos amar. vamos, amor.
e ser feliz até quando a gente conseguir - incondicionalmente.
eu; fim do vestibular; férias; fim do ano; viagem; ano novo; amigos; caraíva; janeiro; resultados; e quem sabe, quem dirá, quem preverá, quem dera, vida nova. =)
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
adolescência.
oh! que saudades que tenho
da aurora da minha vida
da minha adolescência querida
que os anos não trazem mais.
que amor, que sonhos, que flores!
naquelas noites, loucuras!
à sombra das castanheiras
nos rocks infernais.
Como são belos os dias
do despontar da existência
- respira a alma inocência!
com poesia e amor;
o mar é abrigo sereno.
o céu é cobertor estrelado,
o mundo um sonho dourado
a vida um eterno ardor.
da aurora da minha vida
da minha adolescência querida
que os anos não trazem mais.
que amor, que sonhos, que flores!
naquelas noites, loucuras!
à sombra das castanheiras
nos rocks infernais.
Como são belos os dias
do despontar da existência
- respira a alma inocência!
com poesia e amor;
o mar é abrigo sereno.
o céu é cobertor estrelado,
o mundo um sonho dourado
a vida um eterno ardor.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
e agora
eu pago os meus pecados por ter acreditado que só se vive uma vez. pensei que era liberdade mas, na verdade, eram as grades da prisão...
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
um desejo só.
a consistência do seu beijo se perdeu entre os rumos da história. me fez arrepiar da cabeça aos pés. coisa louca é essa chamada de desejo, que nos toma o peito e o corpo, a mente e os gestos, e nos faz querer uma imbatível coisa - até conseguir e a vontade cessar. sentir o teu calor de tão perto, sentir o teu olhar me rondando. sentir. sentir. sentir. tudo o que é feito do mundo sensível. seria abstração? na distância-abismo entre nós, queria eu poder dizer o quanto acho brilhante tudo o que você faz. o jeito que coloca as mãos na cintura me questionando. o jeito que segura argumentos, lê e analisa a vida. o jeito que me analisa. e faz uma radiografia com os olhos, nos quais eu finalmente encontro o desejo que fugiu de mim. é fato, abrigou-se em você.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
céu azul.
o céu hoje está azul.
tal como todos os dias
tal como o mar acolhe
e as estrelas chamam
o céu hoje está azul.
o céu hoje está azul.
como nunca esteve,
como nunca vi,
o céu hoje está azul.
e da janela do meu quarto
o céu me olha e sorri
o céu me abraça com sua brisa
o céu me ama como amante
tudo isso porque, hoje,
o céu está azul.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
tanto.
o que é que
esse azul infinito e ensolarado
esconde de mim?
talvez é lá que esteja
o amor que sempre procurei.
esse azul infinito e ensolarado
esconde de mim?
talvez é lá que esteja
o amor que sempre procurei.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
terça-feira, 3 de novembro de 2009
repente.
de repente
surgiu a letra
surgiu a rima
surgiu a frase.
de repente
sumiu a letr
sumiu a
sumiu
sumi
sum
su
s
.
surgiu a letra
surgiu a rima
surgiu a frase.
de repente
sumiu a letr
sumiu a
sumiu
sumi
sum
su
s
.
domingo, 1 de novembro de 2009
era uma vez um garoto.
desses que a gente conhece sem lembrar direito aonde porque não prestou atenção. caiu de pára-quedas num fim de semana.. e foi ficando. falou de marcelo camelo, vida e poesia. e continuou ficando. proseou sobre opressão e até foi ao cinema.
mas faltava um quê de paixão; um ar de loucura; uma expressão de sentimento. mas ele continuou ficando, como uma poltrona onde a gente senta apenas quando se lembra de que está triste.
depois de um tempo essa poltrona foi ficando velha e acabada; corroída por cupins, insistia em continuar ficando. até que virou uma pedra (tipo aquela de Drummond), e não mais uma poltrona.
um dia, a pedra sumiu. e como faltava um quê de paixão, um ar de loucura e uma expressão de sentimento eu dei graças a Deus e sorri. sorri como nunca. =)
mas faltava um quê de paixão; um ar de loucura; uma expressão de sentimento. mas ele continuou ficando, como uma poltrona onde a gente senta apenas quando se lembra de que está triste.
depois de um tempo essa poltrona foi ficando velha e acabada; corroída por cupins, insistia em continuar ficando. até que virou uma pedra (tipo aquela de Drummond), e não mais uma poltrona.
um dia, a pedra sumiu. e como faltava um quê de paixão, um ar de loucura e uma expressão de sentimento eu dei graças a Deus e sorri. sorri como nunca. =)
sábado, 31 de outubro de 2009
as estrelas.
_ Silêncio! Vamos parar pra ouvir as estrelas...
E só se ouvia a banda de rock tocando CSS ao fundo! No meio da névoa do jardim, barbas, cabelos volumosos e encaracolados, contas, panos coloridos, all stars, grama e cheiro de cerveja. Alguém gargalhou à esquerda! Os musicos dançavam o rock frenéticamente ensaiados; No canto, a mocinha sorria. Alguém começou a tocar Sérgio Sampaio. Todos gargalhavam e acompanhavam o violão. A fumaça tomava conta da roda, das pessoas, dos lábios, da boca, da garganta, da mente. O colorido enchia os olhos e os lugares de cor. Milhões de células cósmicas sentimentais reunidas vibrando ao som do rock anos 60 - quase um milésimo de instante nostálgico na efêmera eternidade do tempo.
Pegou uma seda, despediu, e partiu com a sua solidão insólitamente hilária com o colorido nos olhos. E as estrelas brilhavam forte... lá em cima.
E só se ouvia a banda de rock tocando CSS ao fundo! No meio da névoa do jardim, barbas, cabelos volumosos e encaracolados, contas, panos coloridos, all stars, grama e cheiro de cerveja. Alguém gargalhou à esquerda! Os musicos dançavam o rock frenéticamente ensaiados; No canto, a mocinha sorria. Alguém começou a tocar Sérgio Sampaio. Todos gargalhavam e acompanhavam o violão. A fumaça tomava conta da roda, das pessoas, dos lábios, da boca, da garganta, da mente. O colorido enchia os olhos e os lugares de cor. Milhões de células cósmicas sentimentais reunidas vibrando ao som do rock anos 60 - quase um milésimo de instante nostálgico na efêmera eternidade do tempo.
Pegou uma seda, despediu, e partiu com a sua solidão insólitamente hilária com o colorido nos olhos. E as estrelas brilhavam forte... lá em cima.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
domingo, 25 de outubro de 2009
primavera se foi e com ela meu amor...
os ramos de flores róseas já chegaram; voltaram com a espontaneidade cósmica do tempo anunciando a primavera. nesse país tão tropical, fica até difícil de saber quando a temporada das flores chega. mas de fato chegou, trazendo o pré-calor do verão para aquecer os corações desamparados.
as flores que me viram germinar e brotar; que me viram crescer. que brincaram comigo em tantas subições de árvores. ciclos de vida que presenciei e que me presenciaram nessa louca trajetória vital.
os ventos dos bons fluidos se misturam no calor de pré-veraneio; invadem minha casa, meu quarto, meus corredores, meu chão, minhas roupas, meus livros e o meu filtro dos sonhos. sonhos. sonhos que sonhamos acordados ou dormindo, todos os dias. o coração reaquece; as esperanças resurgem; o amor pelas pequenas coisas renasce nos mínimos detalhes. o amor benigno. o amor que tudo quer amar e que nada quer em troca. o amor paciente, que não se ufana; que não arde em ciúme e não se ensoberbece; aquele que não se exaspera e que se regojiza da verdade. amor supremo.
e numa flor, surge a anunciação da primavera; resurge a primavera; resurge o amor...
as flores que me viram germinar e brotar; que me viram crescer. que brincaram comigo em tantas subições de árvores. ciclos de vida que presenciei e que me presenciaram nessa louca trajetória vital.
os ventos dos bons fluidos se misturam no calor de pré-veraneio; invadem minha casa, meu quarto, meus corredores, meu chão, minhas roupas, meus livros e o meu filtro dos sonhos. sonhos. sonhos que sonhamos acordados ou dormindo, todos os dias. o coração reaquece; as esperanças resurgem; o amor pelas pequenas coisas renasce nos mínimos detalhes. o amor benigno. o amor que tudo quer amar e que nada quer em troca. o amor paciente, que não se ufana; que não arde em ciúme e não se ensoberbece; aquele que não se exaspera e que se regojiza da verdade. amor supremo.
e numa flor, surge a anunciação da primavera; resurge a primavera; resurge o amor...
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