terça-feira, 29 de dezembro de 2009

sorrir, vem colorir solar..


eu cheguei atrasada. e o trem bala dos amores de verão me embalou. mas eu cheguei atrasada. peguei a metade da música. a metade da maçã pela metade. a metade dos dias de férias. eu cheguei atrasada em mim. e cheguei atrasada nos outros. cheguei atrasada nas explicações. cheguei atrasada para as juras de amor.
perdi as cartas, que ficaram atrasadas. cheguei atrasada na paixão. e nos meus amigos, que viram meu atraso. cheguei atrasada no ritmo que embalou. cheguei atrasada no show. na praia. na casa toda decorada de tons terrosos. cheguei atrasada no ar condicionado e no quarto com cheiro de incenso. eu cheguei atrasada no mundo. sempre.
mas mesmo chegando atrasada, recuperei todos os momentos. busquei lá no fundo as juras e cartas perdidas. apertei o replay da trilha sonora. e ganhei a outra metade da maçã, m e r e c i d a m e n t e.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

existe um abismo.

tinha um abismo no meio do caminho.
no meio do caminho tinha um abismo.
















os meus amigos estão doentes. um no hospital, um com câncer, outro com infecção na garganta. os países estão doentes. uns com muito dinheiro, outros com muitas armas, outros com muita fome. a sociedade está doente. uma parte é medíocre. a outra é hipócrita. e a outra é oprimida. os amores estão doentes. uns amam demais, outros de menos. e alguns são doentes pelo ciúme, pela possessividade. as minhas amigas estão doentes. algumas só pensam em homem; outras, só em academia; e o resto só pensa em se livrar da "chatice" faculdade, dos livros, dos professores e da responsabilidade. como se um dia ela não tivesse que chegar, né.
a natureza está doente. animais morrem. florestas morrem. todos morrem.
todos morrem por dentro e por fora. morrem física ou psicologicamente. morrem através de valores ridículos, por atitudes ridículas. morrem por serem ridículos.
o mundo está doente. o mundo está morto. o mundo é ridículo.

depois de não me perguntar mais isso desde a minha infância, eu me permito:
o que eu to fazendo nesse lugar?!

domingo, 20 de dezembro de 2009

lets dance.


vamos fazer uma festa na praia. vamos convidar o índio da mata virgem, o preto do terreiro, a freira do Convento da Penha. vamos chamar o bispo, o Papa, a Chiquita Bacana. vamos convidar Jesus. vamos chamar o Diabo. vamos exigir que ele leve o seu garfo e o seu fogo para fazer as bebidas flamejantes. vamos dançar. vamos chamar amigos loucos e alucinados, que tragam a erva nossa de cada dia e muita xixa. e cerveja. e vodka. e tequila. e xiboquinha. e suco gummy. e champagne pra brindar a vida. e o máximo de alegria para ser compartilhada. e tudo de alcoolico que existir. vamos levar caixas de som, deixar os decibéis tomarem conta de nossas mentes. vamos fazer uma fogueira, pular no mar de madrugada, fazer amor. vamos rodar com os amigos, vamos nos dar as mãos. vamos embora pra Passárgada! vamos contratar músicos com violinos e saxofones e trompetes. vamos chamar o Jorge para animar a festa. e violões e percurssões e tambores e batuques. vamos pegar o forró e misturar com o samba do criolo doido. aí a gente adiciona mpb e um pouco de música clássica, rock e bossa nova. vamos ouvir a música psicodélica e compartilhar desse sentimento de união. vamos fazer uma festa que não acabe nunca. que dure incansáveis 24h de um dia, por 30 e poucos dias no mês, por 12 meses ao ano, por, no mínimo, 95 anos. vamos transformar o tempo numa piscadela atemporal. aí a nossa festa vai durar pra sempre. vamos comer algodão doce. e rir até a barriga doer. vamos viver. vamos ir, quero ver. vamos amar. vamos, amor.
e ser feliz até quando a gente conseguir - incondicionalmente.


eu; fim do vestibular; férias; fim do ano; viagem; ano novo; amigos; caraíva; janeiro; resultados; e quem sabe, quem dirá, quem preverá, quem dera, vida nova. =)

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

adolescência.

oh! que saudades que tenho
da aurora da minha vida
da minha adolescência querida
que os anos não trazem mais.
que amor, que sonhos, que flores!
naquelas noites, loucuras!
à sombra das castanheiras
nos rocks infernais.

Como são belos os dias
do despontar da existência
- respira a alma inocência!
com poesia e amor;
o mar é abrigo sereno.
o céu é cobertor estrelado,
o mundo um sonho dourado
a vida um eterno ardor.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

e agora

eu pago os meus pecados por ter acreditado que só se vive uma vez. pensei que era liberdade mas, na verdade, eram as grades da prisão...

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

um desejo só.

a consistência do seu beijo se perdeu entre os rumos da história. me fez arrepiar da cabeça aos pés. coisa louca é essa chamada de desejo, que nos toma o peito e o corpo, a mente e os gestos, e nos faz querer uma imbatível coisa - até conseguir e a vontade cessar. sentir o teu calor de tão perto, sentir o teu olhar me rondando. sentir. sentir. sentir. tudo o que é feito do mundo sensível. seria abstração? na distância-abismo entre nós, queria eu poder dizer o quanto acho brilhante tudo o que você faz. o jeito que coloca as mãos na cintura me questionando. o jeito que segura argumentos, lê e analisa a vida. o jeito que me analisa. e faz uma radiografia com os olhos, nos quais eu finalmente encontro o desejo que fugiu de mim. é fato, abrigou-se em você.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

céu azul.


o céu hoje está azul.
tal como todos os dias
tal como o mar acolhe
e as estrelas chamam
o céu hoje está azul.

o céu hoje está azul.
como nunca esteve,
como nunca vi,
o céu hoje está azul.

e da janela do meu quarto
o céu me olha e sorri
o céu me abraça com sua brisa
o céu me ama como amante
tudo isso porque, hoje,
o céu está azul.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

tanto.

o que é que
esse azul infinito e ensolarado
esconde de mim?
talvez é lá que esteja
o amor que sempre procurei.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

ever.

sexta-feira mutcho louca:
correr
pular
brincar
beber
cantar
e ficar rouca!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

sooooooool

quinta-feira de sol:
o cabelo recém-cortado
joga a preguiça
no lençol.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

repente.

de repente
surgiu a letra
surgiu a rima
surgiu a frase.
de repente
sumiu a letr
sumiu a
sumiu
sumi
sum
su
s
.

domingo, 1 de novembro de 2009

era uma vez um garoto.

desses que a gente conhece sem lembrar direito aonde porque não prestou atenção. caiu de pára-quedas num fim de semana.. e foi ficando. falou de marcelo camelo, vida e poesia. e continuou ficando. proseou sobre opressão e até foi ao cinema.
mas faltava um quê de paixão; um ar de loucura; uma expressão de sentimento. mas ele continuou ficando, como uma poltrona onde a gente senta apenas quando se lembra de que está triste.
depois de um tempo essa poltrona foi ficando velha e acabada; corroída por cupins, insistia em continuar ficando. até que virou uma pedra (tipo aquela de Drummond), e não mais uma poltrona.
um dia, a pedra sumiu. e como faltava um quê de paixão, um ar de loucura e uma expressão de sentimento eu dei graças a Deus e sorri. sorri como nunca. =)

sábado, 31 de outubro de 2009

as estrelas.

_ Silêncio! Vamos parar pra ouvir as estrelas...
E só se ouvia a banda de rock tocando CSS ao fundo! No meio da névoa do jardim, barbas, cabelos volumosos e encaracolados, contas, panos coloridos, all stars, grama e cheiro de cerveja. Alguém gargalhou à esquerda! Os musicos dançavam o rock frenéticamente ensaiados; No canto, a mocinha sorria. Alguém começou a tocar Sérgio Sampaio. Todos gargalhavam e acompanhavam o violão. A fumaça tomava conta da roda, das pessoas, dos lábios, da boca, da garganta, da mente. O colorido enchia os olhos e os lugares de cor. Milhões de células cósmicas sentimentais reunidas vibrando ao som do rock anos 60 - quase um milésimo de instante nostálgico na efêmera eternidade do tempo.
Pegou uma seda, despediu, e partiu com a sua solidão insólitamente hilária com o colorido nos olhos. E as estrelas brilhavam forte... lá em cima.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

quinta-feira chuvosa

a chuva traz de volta
as lembranças
que eu queria esquecer.

domingo, 25 de outubro de 2009

primavera se foi e com ela meu amor...

os ramos de flores róseas já chegaram; voltaram com a espontaneidade cósmica do tempo anunciando a primavera. nesse país tão tropical, fica até difícil de saber quando a temporada das flores chega. mas de fato chegou, trazendo o pré-calor do verão para aquecer os corações desamparados.
as flores que me viram germinar e brotar; que me viram crescer. que brincaram comigo em tantas subições de árvores. ciclos de vida que presenciei e que me presenciaram nessa louca trajetória vital.
os ventos dos bons fluidos se misturam no calor de pré-veraneio; invadem minha casa, meu quarto, meus corredores, meu chão, minhas roupas, meus livros e o meu filtro dos sonhos. sonhos. sonhos que sonhamos acordados ou dormindo, todos os dias. o coração reaquece; as esperanças resurgem; o amor pelas pequenas coisas renasce nos mínimos detalhes. o amor benigno. o amor que tudo quer amar e que nada quer em troca. o amor paciente, que não se ufana; que não arde em ciúme e não se ensoberbece; aquele que não se exaspera e que se regojiza da verdade. amor supremo.
e numa flor, surge a anunciação da primavera; resurge a primavera; resurge o amor...

domingo, 18 de outubro de 2009

domingo de dia

dia de domingo:
o sol brilha lá fora,
a praia irradia frescor,
eu aqui dentro
e o suor.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

na madrugada...

que mistérios se escondem atrás das trevas? que tipo de segredos pairam no cosmos de um jardim longo e verde, com aquela árvore de flores róseas e colibris e aquela brisa lenta mormaçada com o calor da primavera e gélida como a sensação dos pólos? na noite, eu escrevo. escrevo só e tanto. e pergunto, questiono. que tipo de dúvidas são contrastadas com pixels, cores e cristais líquidos? as óticas das ilusões me pegam em cheio, me beijam a boca e me jogam no chão. me pisam, me maltratam, me amam e me desprezam, numa louca transitoriedade com cheiro de cereja e um quarto tocando o blues. minha cerveja jaz ao meu lado. única companheira nessas noites tão frias e ausentes. única que ainda me faz calor. única que me colore o olhar, que me enche o sorriso, que me cora as faces, que conversa e discute comigo, única.
em algum lugar do mundo, as tartarugas cantam, doces e agudas, calmas e radiantes, motrando-se ali também. mas seu canto é tão alto que me faz não escutar mais a realidade. e desde então vivo de sonho. e já não sei ser mais nada além disso.

domingo, 11 de outubro de 2009

para isso.

praia sol
sol praia
praiasolpraiasol
solpraiasolpraia
p a r a í s o.


Raiza C.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

o ritmo dos pingos ao cair no chão...

uma imensidão de pingos prateados a cercava pelo céu da cidade. o cheiro de terra molhada invadia a vida. a rua sempre fria, sempre solitária, a rua sempre. e a chuva caía em seu rosto, prometendo trazer as respostas que ela não conseguia encontrar.
estariam lá em cima, na imensidão, escura agora por aquela capa de trevas? estaria caindo em migalhas com a chuva, pronta para acolher-se em algum lugar e cicatrizar as feridas?
o que é que a chuva promete que nós nunca sabemos o que é...

terça-feira, 6 de outubro de 2009

o ônibus passou pela ponte.

lá embaixo, o mar refletia o dourado do sol em rajadas de cores azul-prateadas. o vento bagunçava os cabelos e a música ressoava.
ela se aproximou com suas roupas de estampas simplórias. sentou-se na minha frente, nos bancos reversíveis. fitou a minha boa aparência, olhou até com desprezo. seu suor reluzia àquela luz, juntamente com a sua aliança de ouro barato. mas passaram-se dez minutos e ela caía num sono profundo como o dos anjos. seu semblante sofrido, adormecia em plena paz; suas mãos de trabalhadora demonstravam o cansaço e a luta do dia-a-dia. abraçava a bolsa, o pouco que deveria ter, num gesto protetor e acalentador.
comecei a pensar nos caracteres daquela jovem senhora. deveria ter no máximo 35 anos, mas as linhas de expressão já delineavam o rosto. teria filhos? um, dois, três, quatro, nenhum? teria pais ainda? seria casada? teria alguém e algo pra chamar de seu?
há tantas pessoas por aí; tantas mãos como aquelas, que refletiam o suor do trabalho. tantos que trabalham tanto, e que mesmo assim conseguem adormecer com a paz do cansaço celestial do fim de um dia, dentro do ônibus, no meio de tanto barulho e pessoas.
levantei e dei o sinal, era o meu ponto. o dela era bem mais longe. quem sabe numa mansão, num lugar melhor que o meu; quem sabe no fim da linha, onde há um boteco sujo de esquina, uns vira-latas correndo pela rua, um lixão a céu aberto e um barraco cheio, completo de alegria. e lá se foi minha companheira de viagem, dormindo no seu sono angelical com seu suor reluzente.