quarta-feira, 5 de agosto de 2009

des canso.

acontece que me canso de ser eu.
me canso de ouvir falatórios em vão
e de ver as pessoas darem o mesmo sermão
sobre minha própria vida.
acontece que me canso do chão,
dos meus sapatos e minhas roupas.
da minha casa e da minha cidade.
de ser bandida.
acontece que me canso.
de tudo.
de todos.
do mundo.
acontece que cansei
de viver em sociedade
de pregar a pluralidade
e que de tanto me cansar
descanso.
acontece que cansei de acostumar
mas que de tanto já
acostumo novamente.
acontece que cansei de obedecer.
que cansei de procurar em bebidas
a filosofia da existência.
acontece que cansei de acontecer.
acontece
que cansei de procurar em pessoas
uma chave pra vivência.
acontece que me canso
daqui
dalí
disso aqui.
e de tanto me cansar
des canso.

(Raiza. C)

quinta-feira, 30 de julho de 2009

viajante.

diluir-se
no ar
matéria
errante, errar
idéia
erro
social
conhecer
faz o bem
ou faz o mal,
viver?
viajante
dançante
estrada
amante
poeira
errante
e eu
no mundo
sem cara
sem grana
sem fundo.

sábado, 25 de julho de 2009

e eu...

já não me reconheço mais.
de quem são essas roupas de gente grande?
com brilhos, lantejoulas e detalhes demais
já não me reconheço entre as pessoas
rezei em muitas catedrais;
já quebrei muitos vitrais;
e apenas descobri
que a vida tem muitos canais.

terça-feira, 21 de julho de 2009

sábado, 18 de julho de 2009

maramar.

e o mar me olhou
e olhei o mar
mar solidão impossível
nessa selva de amar.
e o mar olhou pra mim
e não aprendi amar
esse amor sem fim
mar, mim, mar.



- é, as vezes é difícil entender essas coisas que sentimos; que saem não sei da onde e vem nos atormentar não sei porque.

domingo, 12 de julho de 2009

pois é!

pois é, não deu! deixa assim como está, sereno.
pois é de Deus tudo aquilo que não se pode ver.
e ao amanhã a gente não diz.
e ao coração que teima em bater,
avisa que é de se entregar o viver.
pois é, até onde o destino não previu.
sem mais, atrás, vou até onde eu conseguir.
deixa o amanhã e a gente sorrir!
que o coração já quer descansar..
clareia minha vida, amor, no olhar.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

resumo de sexta!

três garrafas de cerveja, alguns amigos, umas discussões intelectuais que não levam a lugar nenhum e a terrível sensação de ter um simulado no sábado de manhã ! ¬¬

quarta-feira, 8 de julho de 2009

e aí?

o que te impede? de voar, de viver? qual barreira é tão terrivelmente grande que nos impede de transpor as dificuldades, de driblar as tormentas...?
onde começa e até onde vai os limites do ser humano?
até onde nós vamos...? será que o esforço pra fazer o bem vai além? será que nós realmente fazemos o máximo, chegamos na fronteira do 'não posso mais'.. até nos convencermos de que o amor e a compaixão é maior do que isso tudo?

e quanto mais penso nisso, mais percebo que somos um grão de areia no deserto.
e que não sabemos nada, embora a gente insista a ostentar cada dia mais e mais esse título de seres dotados de inteligência.


[inteligência essa empregada para tantos outros meios que não os necessários].

terça-feira, 7 de julho de 2009

sobre isso, e aquilo...

não.
me recuso a aceitar que a realidade é composta de dor, que o amor é feito dela; me recuso a não receber um bom-dia quando entro no ônibus; me recuso a não ver o sol nascer e a não olhar a lua cheia num dia como hoje. eu me recuso a ser mais um humanóide que vive no mundo sem saber viver. que não aproveita a luz do dia, a luz da noite, que não aproveita.
me recuso a aceitar cada decepção como verdade.. e a torná-las verdade pra mim.
porque por mais preta e branca que esteja a vida... é preciso muito AMOR pra se fazer colorido o nosso arco-íris... e além disso: PERDER A TERNURA, JAMAIS!

sábado, 4 de julho de 2009

a gente se acostuma.

...mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.
(Marina Colasanti).

quarta-feira, 1 de julho de 2009

vejo flores em você.

- all star no pedal e eu mergulho no vento estrelado das 22:40h. aquela sensação linda de liberdade, do pássaro que voa baixo, quase tocando o chão. o brisa gelada cortando o rosto e o vôo... um passo para chegar no céu, um segundo pro paraíso coloridamente infindável. as ruas vazias de gente deixam o caminho livre... pra mim e pras minhas lembranças. doces lembranças que chegam em ondas. maremotos nada pacíficos, balançando as ilhas que nos cercam, os sentimentos que nos rodeiam. os sorrisos que se escondem atrás dos cotidianos.
aaaaaaah como são lindas e maravilhosas as sensações da vida! dançam empolgadas numa valsa de flores e amores, misturadas com cheiro de incenso âmbar e gosto de cerveja gelada descendo na garganta envolvida por cachecóis; essas astutas!, nos gelam as mãos que permanecem dadas à outras mãos... mas esquentam, cada dia mais e mais, os nossos corações.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

lárará...

a brisa gélida e agradável cortava
o rosto, os cabelos ao vento, procuravam a direção
norte? sul! era o sul... lindo
sul de praias de areia fina,
de duas ilhas, na frente,
dos dois irmãos.
num transporte que fala
das ruas contra
mãos que se afagam
e que se agarram em
laços que não se desfazem.
amor, calor.
sorriso e dança.
e mais uma vez,
era criança.

sábado, 27 de junho de 2009

tarde vazia.

a mala cheia de recordações, aberta no canto do quarto, mostra inconscientemente o saudosismo: eu queria ter ficado.
todos os livros, em que estou na metade, apontam pra um final no qual ainda não cheguei.
fotos e sorrisos se misturam com uma janela indiscreta que eu insisto em deixar fechada: os bons ventos não entram, os antigos não saem.
as matérias acumuladas mostram a relutância em aceitar este momento, presente que desejava ainda ser passado.
e o futuro, tão longínquo, acena pra mim. só não sei se é saudação ou adeus.

domingo, 7 de junho de 2009

???

será será será será será será será será será será será será será será?????????????????????

quarta-feira, 3 de junho de 2009

trágico e belo.

"... O individuo trágico, é belo.
Ele se alimenta da sociedade caótica.
A morte escapa a dor que a loucura ofusca pelos olhos.
Céu e inferno são invenções do homem antigo que necessita de julgamentos para justificar a existência. Vivem no purgatório.
Vivo no inconsciente pois minha consciência já foi corrompida.
Sou Baco, sou Apolo, sou pássaro, sou cobra.
Transcendências me queimam a alma. Saem lavas incontroláveis.
Quando esfria, viro uma esfinge negra olhando o horizonte cheio de ilusões."

- by pretinho.

terça-feira, 2 de junho de 2009

!

resultados escolares péssimos, fadiga emocional e corporal aliada à falta de paitrocínio. e o governo ainda quer mudar o vestibular ¬¬

sábado, 30 de maio de 2009

juventude.

aaaaaaah juventude! juventude linda, pura, material e abstrata. juventude forte, louca, volatizada. juventude paradisíaca, alucinada, obstinada. juventude tudo. juventude nada. juentude extrema.
juventude esquerdista. juventude cósmica. juventude estroboscópica. juventude mágica.
juventude bucólica. juventude barroca. juventude romântica. juventude realista. juventude moderna. juventude quântica. eletromagnética. juventude natural.

- juventude livre num lugar com efervescência cultural. músicas. cheiros. cores. amores. sorrisos. o calor e o frio. e tudo de melhor que os raios da aurora possam oferecer.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

um saco ¬¬

um pacote de biscoito de polvilho, um café mal feito e amargo e a terrível sensação de não conseguir resolver os exercícios de física III.

brilha.


o primeiro raio de sol mal bateu na janela orvalhada e ela já se levantara. fitou a parede, cheia de recordações. viu o óculos e o huxley jogado logo ali do lado e agradeceu. não importa a quem, mas agradeceu. abriu a janela e sentiu o doce ar gélido da manhã ensolarada, terrivelmente calmo; terrivelmente alvo e sensível; terrivelmente colorido e essencial. observou os passarinhos numa linda dança no céu. como, no meio de uma cidade daquele tamanho, poderiam viver em tão perfeita harmonia? observou a lagarta que pendia num casulo numa folha da árvore da frente. como, no meio de uma cidade daquele tamanho, poderiam viver em tão perfeita harmonia? observou as formigas, andando sempre naquela linha interminável de obediência. pareciam até que eram fiscalizadas. como, no meio de uma cidade daquele tamanho, poderiam viver em tão perfeita harmonia? e viu o céu límpido, o sol reluzente, algumas nuvens ao fundo; e viu fotos, amigos, bebidas, sorrisos, afeto, mar, e terra e chão; e amor e tristeza; e sabor e cheiro; todos eles inconfundivelmente misturados no caos sensível. e se deu conta: como, no meio de uma cidade daquele tamanho, poderia viver em tão perfeita harmonia?
- e logo encontrou a resposta: é
a natureza... ela sempre dá um jeito pra desabrochar em flor.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

sou.

eu queria ter nascido à tempo de ir a Woodstock. de ver o lançamento dos vinis dos Beatles e de ouvir Janis Joplin tocando no rádio. queria ter sido americana na época que Kerouac tinha 20 e poucos anos, viajando com ele pelas estradas underground do Oeste, driblando o american way of life. de ouvir Bessie Smith tocando nas periferias longas do norte, enquanto mães negras se penduravam nas janelas pra olhar suas lindas crianças a descobrir o mundo. eu queria ter participado da Revolução Francesa, só pra poder gritar "liberté, egalité e fraternité!" no idioma francês e ver a Bastilha cair juntamente com Luís XVI. eu queria ter participado dos sagrados rituais dos Incas e de ter vivido em Machu Picchu, sentindo aquele ar rarefeito dos Andes.
eu queria ter nascido em Goa, onde a música eletrônica primitiva ainda ecoa em psicodélicas batidas hippie-contra-culturais-indianas. eu queria ter colocado combustível na La Poderosa, só pra ver o Chê rodar pelas estradas da América Latina desejando um futuro melhor para o seu povo. queria poder ter 18 anos em 1929, só pra rir da quebra das bolsas mundiais. queria te aprendido com Simone de Beauvoir como fazer com que o feminismo não seja banalizado por peruas inconsequentes. eu queria ter ido a um show do Robert Nesta e entraria em êxtase escutando ele cantar "don't worry about a thing cause every little thing is gonna be alright".
eu queria ter aberto as portas da minha percepção com Huxley e de me surpreender a cada dia com esse Admirável Mundo Novo. eu estou esperando até hoje chegar a minha carta de Hogwarts, mas se ela não chegar vou processar seriamente a J. K. Rowling por propaganda enganosa! eu queria mesmo é ser brasileira como sou, sentir as àguas quentes do Atlântico numa linda dança das areias finas do nordeste e os mares de morros de onde nasci. Comer Moqueca Capixaba dia de domingo ao som do Congo, ouvindo as velhas lendas de Maria Ortiz. Passar carnaval em Regência 50 vezes e virar o ano nas Dunas de Itaúnas dançando forró pé-de-serra com meus amigos, loucos amigos! Viajar pro Rio de Janeiro e dançar embaixo dos arcos da Lapa, enquanto o Bondinho de Santa Tereza passa por cima de mim. Cair na night de São Paulo e dps me juntar ao MSTC por uma causa realmente nobre: a justiça social. Ouvir Los Hermanos e me orgulhar da música brasileira; flertar com tio Chico Buarque e discutir com Gabeira os prós e contras da legalização da maconha e do aborto; dizer pros Engenheiros do Hawaii que concordo com muitas músicas deles e jogar fora toda essa alienação lixo que circula pela mídia.
eu queria ter nascido em 1960 pra morrer pela ditadura. Pra ter uma Kombi 64. Pra ser exilada na URSS junto com Luís Carlos Prestes, ouvindo ele me contar como Olga era bonita.
eu queria ligar a tv e assistir Elis cantando com Jobim e não essa violência absurda que nos atinge todos os dias através dos noticiários. e também queria ser terrorista nessas horas pra jogar uma bomba de anti-matéria no Senado e mostrar pros brasileiros que o real perigo não está nas favelas e sim em Brasília. fazer com que as pessoas entendam que a violência é o preço que se paga pela injustiça social e a má distribuição de renda no nosso país.
queria morrer com Marx só pra ver qual a opinião atual dele sobre o mundo, onde quer que ele esteja. queria poder ter um poder incondicionalmente grande pra trazer paz no Oriente. e não só no Oriente. queria ressuscitar Hitler e fazê-lo pagar por todos os crimes cometidos.
eu queria ter vivido entre os marginais da poesia, tomando cerveja com Leminski e rindo muito com Waly Salomão. Ter ouvido os Tropicalistas tocando violão pioneiramente, sentados em volta de uma mesa de centro num apê qualquer. Queria ter falado pra Rimbaud tirar da cabeça essa idéia de virar padre. e cantar pra Nieztche "ter fé e ver coragem no amor" quando as esperanças dele foram-se embora com Lou Andréas-Salomé. Queria ter visitado Oscar Wilde na prisão.
Eu queria realmente poder mostrar, demonstrar, fazer sentir a todos que já conheci e não conheci o quanto todos nós podemos amar uns aos outros; o quanto podemos ser úteis pra sociedade se deixarmos o ego de lado; o quanto o nosso planeta precisa de nós, não pra destruir, mas pra RE-construir. o quanto precisamos e necessitamos mais e mais de amor, humildade e compaixão a cada dia. o quanto o mundo está sedento de sentimentos nobres que não querem nada mais que dar e receber. RE-construir conceitos, libertar a mente, deixar fluir o positivo. Se libertar da escravidão mental que nos cerca a todo momento, nos impedindo de avançar espiritualmente.
eu queria ser outra pessoa, eu mesma, com todos prós e contras. e poses e apelos e defeitos e qualidades. e desejos e loucuras. e sair do sério, ser santa, louca, pomba-gira e padre. e mostrar pra todo munto o quanto la vie est belle.