sexta-feira, 10 de julho de 2009
resumo de sexta!
três garrafas de cerveja, alguns amigos, umas discussões intelectuais que não levam a lugar nenhum e a terrível sensação de ter um simulado no sábado de manhã ! ¬¬
quarta-feira, 8 de julho de 2009
e aí?
o que te impede? de voar, de viver? qual barreira é tão terrivelmente grande que nos impede de transpor as dificuldades, de driblar as tormentas...?
onde começa e até onde vai os limites do ser humano?
até onde nós vamos...? será que o esforço pra fazer o bem vai além? será que nós realmente fazemos o máximo, chegamos na fronteira do 'não posso mais'.. até nos convencermos de que o amor e a compaixão é maior do que isso tudo?
e quanto mais penso nisso, mais percebo que somos um grão de areia no deserto.
e que não sabemos nada, embora a gente insista a ostentar cada dia mais e mais esse título de seres dotados de inteligência.
[inteligência essa empregada para tantos outros meios que não os necessários].
onde começa e até onde vai os limites do ser humano?
até onde nós vamos...? será que o esforço pra fazer o bem vai além? será que nós realmente fazemos o máximo, chegamos na fronteira do 'não posso mais'.. até nos convencermos de que o amor e a compaixão é maior do que isso tudo?
e quanto mais penso nisso, mais percebo que somos um grão de areia no deserto.
e que não sabemos nada, embora a gente insista a ostentar cada dia mais e mais esse título de seres dotados de inteligência.
[inteligência essa empregada para tantos outros meios que não os necessários].
terça-feira, 7 de julho de 2009
sobre isso, e aquilo...
não.
me recuso a aceitar que a realidade é composta de dor, que o amor é feito dela; me recuso a não receber um bom-dia quando entro no ônibus; me recuso a não ver o sol nascer e a não olhar a lua cheia num dia como hoje. eu me recuso a ser mais um humanóide que vive no mundo sem saber viver. que não aproveita a luz do dia, a luz da noite, que não aproveita.
me recuso a aceitar cada decepção como verdade.. e a torná-las verdade pra mim.
porque por mais preta e branca que esteja a vida... é preciso muito AMOR pra se fazer colorido o nosso arco-íris... e além disso: PERDER A TERNURA, JAMAIS!
me recuso a aceitar que a realidade é composta de dor, que o amor é feito dela; me recuso a não receber um bom-dia quando entro no ônibus; me recuso a não ver o sol nascer e a não olhar a lua cheia num dia como hoje. eu me recuso a ser mais um humanóide que vive no mundo sem saber viver. que não aproveita a luz do dia, a luz da noite, que não aproveita.
me recuso a aceitar cada decepção como verdade.. e a torná-las verdade pra mim.
porque por mais preta e branca que esteja a vida... é preciso muito AMOR pra se fazer colorido o nosso arco-íris... e além disso: PERDER A TERNURA, JAMAIS!
sábado, 4 de julho de 2009
a gente se acostuma.
...mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.
(Marina Colasanti).
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.
(Marina Colasanti).
quarta-feira, 1 de julho de 2009
vejo flores em você.
- all star no pedal e eu mergulho no vento estrelado das 22:40h. aquela sensação linda de liberdade, do pássaro que voa baixo, quase tocando o chão. o brisa gelada cortando o rosto e o vôo... um passo para chegar no céu, um segundo pro paraíso coloridamente infindável. as ruas vazias de gente deixam o caminho livre... pra mim e pras minhas lembranças. doces lembranças que chegam em ondas. maremotos nada pacíficos, balançando as ilhas que nos cercam, os sentimentos que nos rodeiam. os sorrisos que se escondem atrás dos cotidianos.
aaaaaaah como são lindas e maravilhosas as sensações da vida! dançam empolgadas numa valsa de flores e amores, misturadas com cheiro de incenso âmbar e gosto de cerveja gelada descendo na garganta envolvida por cachecóis; essas astutas!, nos gelam as mãos que permanecem dadas à outras mãos... mas esquentam, cada dia mais e mais, os nossos corações.
aaaaaaah como são lindas e maravilhosas as sensações da vida! dançam empolgadas numa valsa de flores e amores, misturadas com cheiro de incenso âmbar e gosto de cerveja gelada descendo na garganta envolvida por cachecóis; essas astutas!, nos gelam as mãos que permanecem dadas à outras mãos... mas esquentam, cada dia mais e mais, os nossos corações.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
lárará...
a brisa gélida e agradável cortava
o rosto, os cabelos ao vento, procuravam a direção
norte? sul! era o sul... lindo
sul de praias de areia fina,
de duas ilhas, na frente,
dos dois irmãos.
num transporte que fala
das ruas contra
mãos que se afagam
e que se agarram em
laços que não se desfazem.
amor, calor.
sorriso e dança.
e mais uma vez,
era criança.
o rosto, os cabelos ao vento, procuravam a direção
norte? sul! era o sul... lindo
sul de praias de areia fina,
de duas ilhas, na frente,
dos dois irmãos.
num transporte que fala
das ruas contra
mãos que se afagam
e que se agarram em
laços que não se desfazem.
amor, calor.
sorriso e dança.
e mais uma vez,
era criança.
sábado, 27 de junho de 2009
tarde vazia.
a mala cheia de recordações, aberta no canto do quarto, mostra inconscientemente o saudosismo: eu queria ter ficado.
todos os livros, em que estou na metade, apontam pra um final no qual ainda não cheguei.
fotos e sorrisos se misturam com uma janela indiscreta que eu insisto em deixar fechada: os bons ventos não entram, os antigos não saem.
as matérias acumuladas mostram a relutância em aceitar este momento, presente que desejava ainda ser passado.
e o futuro, tão longínquo, acena pra mim. só não sei se é saudação ou adeus.
todos os livros, em que estou na metade, apontam pra um final no qual ainda não cheguei.
fotos e sorrisos se misturam com uma janela indiscreta que eu insisto em deixar fechada: os bons ventos não entram, os antigos não saem.
as matérias acumuladas mostram a relutância em aceitar este momento, presente que desejava ainda ser passado.
e o futuro, tão longínquo, acena pra mim. só não sei se é saudação ou adeus.
domingo, 7 de junho de 2009
quarta-feira, 3 de junho de 2009
trágico e belo.
"... O individuo trágico, é belo.
Ele se alimenta da sociedade caótica.
A morte escapa a dor que a loucura ofusca pelos olhos.
Céu e inferno são invenções do homem antigo que necessita de julgamentos para justificar a existência. Vivem no purgatório.
Vivo no inconsciente pois minha consciência já foi corrompida.
Sou Baco, sou Apolo, sou pássaro, sou cobra.
Transcendências me queimam a alma. Saem lavas incontroláveis.
Quando esfria, viro uma esfinge negra olhando o horizonte cheio de ilusões."
- by pretinho.
Ele se alimenta da sociedade caótica.
A morte escapa a dor que a loucura ofusca pelos olhos.
Céu e inferno são invenções do homem antigo que necessita de julgamentos para justificar a existência. Vivem no purgatório.
Vivo no inconsciente pois minha consciência já foi corrompida.
Sou Baco, sou Apolo, sou pássaro, sou cobra.
Transcendências me queimam a alma. Saem lavas incontroláveis.
Quando esfria, viro uma esfinge negra olhando o horizonte cheio de ilusões."
- by pretinho.
terça-feira, 2 de junho de 2009
!
resultados escolares péssimos, fadiga emocional e corporal aliada à falta de paitrocínio. e o governo ainda quer mudar o vestibular ¬¬
sábado, 30 de maio de 2009
juventude.
aaaaaaah juventude! juventude linda, pura, material e abstrata. juventude forte, louca, volatizada. juventude paradisíaca, alucinada, obstinada. juventude tudo. juventude nada. juentude extrema.
juventude esquerdista. juventude cósmica. juventude estroboscópica. juventude mágica.
juventude bucólica. juventude barroca. juventude romântica. juventude realista. juventude moderna. juventude quântica. eletromagnética. juventude natural.
- juventude livre num lugar com efervescência cultural. músicas. cheiros. cores. amores. sorrisos. o calor e o frio. e tudo de melhor que os raios da aurora possam oferecer.
juventude esquerdista. juventude cósmica. juventude estroboscópica. juventude mágica.
juventude bucólica. juventude barroca. juventude romântica. juventude realista. juventude moderna. juventude quântica. eletromagnética. juventude natural.
- juventude livre num lugar com efervescência cultural. músicas. cheiros. cores. amores. sorrisos. o calor e o frio. e tudo de melhor que os raios da aurora possam oferecer.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
um saco ¬¬
um pacote de biscoito de polvilho, um café mal feito e amargo e a terrível sensação de não conseguir resolver os exercícios de física III.
brilha.

o primeiro raio de sol mal bateu na janela orvalhada e ela já se levantara. fitou a parede, cheia de recordações. viu o óculos e o huxley jogado logo ali do lado e agradeceu. não importa a quem, mas agradeceu. abriu a janela e sentiu o doce ar gélido da manhã ensolarada, terrivelmente calmo; terrivelmente alvo e sensível; terrivelmente colorido e essencial. observou os passarinhos numa linda dança no céu. como, no meio de uma cidade daquele tamanho, poderiam viver em tão perfeita harmonia? observou a lagarta que pendia num casulo numa folha da árvore da frente. como, no meio de uma cidade daquele tamanho, poderiam viver em tão perfeita harmonia? observou as formigas, andando sempre naquela linha interminável de obediência. pareciam até que eram fiscalizadas. como, no meio de uma cidade daquele tamanho, poderiam viver em tão perfeita harmonia? e viu o céu límpido, o sol reluzente, algumas nuvens ao fundo; e viu fotos, amigos, bebidas, sorrisos, afeto, mar, e terra e chão; e amor e tristeza; e sabor e cheiro; todos eles inconfundivelmente misturados no caos sensível. e se deu conta: como, no meio de uma cidade daquele tamanho, poderia viver em tão perfeita harmonia?
- e logo encontrou a resposta: é a natureza... ela sempre dá um jeito pra desabrochar em flor.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
sou.
eu queria ter nascido à tempo de ir a Woodstock. de ver o lançamento dos vinis dos Beatles e de ouvir Janis Joplin tocando no rádio. queria ter sido americana na época que Kerouac tinha 20 e poucos anos, viajando com ele pelas estradas underground do Oeste, driblando o american way of life. de ouvir Bessie Smith tocando nas periferias longas do norte, enquanto mães negras se penduravam nas janelas pra olhar suas lindas crianças a descobrir o mundo. eu queria ter participado da Revolução Francesa, só pra poder gritar "liberté, egalité e fraternité!" no idioma francês e ver a Bastilha cair juntamente com Luís XVI. eu queria ter participado dos sagrados rituais dos Incas e de ter vivido em Machu Picchu, sentindo aquele ar rarefeito dos Andes.
eu queria ter nascido em Goa, onde a música eletrônica primitiva ainda ecoa em psicodélicas batidas hippie-contra-culturais-indianas. eu queria ter colocado combustível na La Poderosa, só pra ver o Chê rodar pelas estradas da América Latina desejando um futuro melhor para o seu povo. queria poder ter 18 anos em 1929, só pra rir da quebra das bolsas mundiais. queria te aprendido com Simone de Beauvoir como fazer com que o feminismo não seja banalizado por peruas inconsequentes. eu queria ter ido a um show do Robert Nesta e entraria em êxtase escutando ele cantar "don't worry about a thing cause every little thing is gonna be alright".
eu queria ter aberto as portas da minha percepção com Huxley e de me surpreender a cada dia com esse Admirável Mundo Novo. eu estou esperando até hoje chegar a minha carta de Hogwarts, mas se ela não chegar vou processar seriamente a J. K. Rowling por propaganda enganosa! eu queria mesmo é ser brasileira como sou, sentir as àguas quentes do Atlântico numa linda dança das areias finas do nordeste e os mares de morros de onde nasci. Comer Moqueca Capixaba dia de domingo ao som do Congo, ouvindo as velhas lendas de Maria Ortiz. Passar carnaval em Regência 50 vezes e virar o ano nas Dunas de Itaúnas dançando forró pé-de-serra com meus amigos, loucos amigos! Viajar pro Rio de Janeiro e dançar embaixo dos arcos da Lapa, enquanto o Bondinho de Santa Tereza passa por cima de mim. Cair na night de São Paulo e dps me juntar ao MSTC por uma causa realmente nobre: a justiça social. Ouvir Los Hermanos e me orgulhar da música brasileira; flertar com tio Chico Buarque e discutir com Gabeira os prós e contras da legalização da maconha e do aborto; dizer pros Engenheiros do Hawaii que concordo com muitas músicas deles e jogar fora toda essa alienação lixo que circula pela mídia.
eu queria ter nascido em 1960 pra morrer pela ditadura. Pra ter uma Kombi 64. Pra ser exilada na URSS junto com Luís Carlos Prestes, ouvindo ele me contar como Olga era bonita.
eu queria ligar a tv e assistir Elis cantando com Jobim e não essa violência absurda que nos atinge todos os dias através dos noticiários. e também queria ser terrorista nessas horas pra jogar uma bomba de anti-matéria no Senado e mostrar pros brasileiros que o real perigo não está nas favelas e sim em Brasília. fazer com que as pessoas entendam que a violência é o preço que se paga pela injustiça social e a má distribuição de renda no nosso país.
queria morrer com Marx só pra ver qual a opinião atual dele sobre o mundo, onde quer que ele esteja. queria poder ter um poder incondicionalmente grande pra trazer paz no Oriente. e não só no Oriente. queria ressuscitar Hitler e fazê-lo pagar por todos os crimes cometidos.
eu queria ter vivido entre os marginais da poesia, tomando cerveja com Leminski e rindo muito com Waly Salomão. Ter ouvido os Tropicalistas tocando violão pioneiramente, sentados em volta de uma mesa de centro num apê qualquer. Queria ter falado pra Rimbaud tirar da cabeça essa idéia de virar padre. e cantar pra Nieztche "ter fé e ver coragem no amor" quando as esperanças dele foram-se embora com Lou Andréas-Salomé. Queria ter visitado Oscar Wilde na prisão.
Eu queria realmente poder mostrar, demonstrar, fazer sentir a todos que já conheci e não conheci o quanto todos nós podemos amar uns aos outros; o quanto podemos ser úteis pra sociedade se deixarmos o ego de lado; o quanto o nosso planeta precisa de nós, não pra destruir, mas pra RE-construir. o quanto precisamos e necessitamos mais e mais de amor, humildade e compaixão a cada dia. o quanto o mundo está sedento de sentimentos nobres que não querem nada mais que dar e receber. RE-construir conceitos, libertar a mente, deixar fluir o positivo. Se libertar da escravidão mental que nos cerca a todo momento, nos impedindo de avançar espiritualmente.
eu queria ser outra pessoa, eu mesma, com todos prós e contras. e poses e apelos e defeitos e qualidades. e desejos e loucuras. e sair do sério, ser santa, louca, pomba-gira e padre. e mostrar pra todo munto o quanto la vie est belle.
eu queria ter nascido em Goa, onde a música eletrônica primitiva ainda ecoa em psicodélicas batidas hippie-contra-culturais-indianas. eu queria ter colocado combustível na La Poderosa, só pra ver o Chê rodar pelas estradas da América Latina desejando um futuro melhor para o seu povo. queria poder ter 18 anos em 1929, só pra rir da quebra das bolsas mundiais. queria te aprendido com Simone de Beauvoir como fazer com que o feminismo não seja banalizado por peruas inconsequentes. eu queria ter ido a um show do Robert Nesta e entraria em êxtase escutando ele cantar "don't worry about a thing cause every little thing is gonna be alright".
eu queria ter aberto as portas da minha percepção com Huxley e de me surpreender a cada dia com esse Admirável Mundo Novo. eu estou esperando até hoje chegar a minha carta de Hogwarts, mas se ela não chegar vou processar seriamente a J. K. Rowling por propaganda enganosa! eu queria mesmo é ser brasileira como sou, sentir as àguas quentes do Atlântico numa linda dança das areias finas do nordeste e os mares de morros de onde nasci. Comer Moqueca Capixaba dia de domingo ao som do Congo, ouvindo as velhas lendas de Maria Ortiz. Passar carnaval em Regência 50 vezes e virar o ano nas Dunas de Itaúnas dançando forró pé-de-serra com meus amigos, loucos amigos! Viajar pro Rio de Janeiro e dançar embaixo dos arcos da Lapa, enquanto o Bondinho de Santa Tereza passa por cima de mim. Cair na night de São Paulo e dps me juntar ao MSTC por uma causa realmente nobre: a justiça social. Ouvir Los Hermanos e me orgulhar da música brasileira; flertar com tio Chico Buarque e discutir com Gabeira os prós e contras da legalização da maconha e do aborto; dizer pros Engenheiros do Hawaii que concordo com muitas músicas deles e jogar fora toda essa alienação lixo que circula pela mídia.
eu queria ter nascido em 1960 pra morrer pela ditadura. Pra ter uma Kombi 64. Pra ser exilada na URSS junto com Luís Carlos Prestes, ouvindo ele me contar como Olga era bonita.
eu queria ligar a tv e assistir Elis cantando com Jobim e não essa violência absurda que nos atinge todos os dias através dos noticiários. e também queria ser terrorista nessas horas pra jogar uma bomba de anti-matéria no Senado e mostrar pros brasileiros que o real perigo não está nas favelas e sim em Brasília. fazer com que as pessoas entendam que a violência é o preço que se paga pela injustiça social e a má distribuição de renda no nosso país.
queria morrer com Marx só pra ver qual a opinião atual dele sobre o mundo, onde quer que ele esteja. queria poder ter um poder incondicionalmente grande pra trazer paz no Oriente. e não só no Oriente. queria ressuscitar Hitler e fazê-lo pagar por todos os crimes cometidos.
eu queria ter vivido entre os marginais da poesia, tomando cerveja com Leminski e rindo muito com Waly Salomão. Ter ouvido os Tropicalistas tocando violão pioneiramente, sentados em volta de uma mesa de centro num apê qualquer. Queria ter falado pra Rimbaud tirar da cabeça essa idéia de virar padre. e cantar pra Nieztche "ter fé e ver coragem no amor" quando as esperanças dele foram-se embora com Lou Andréas-Salomé. Queria ter visitado Oscar Wilde na prisão.
Eu queria realmente poder mostrar, demonstrar, fazer sentir a todos que já conheci e não conheci o quanto todos nós podemos amar uns aos outros; o quanto podemos ser úteis pra sociedade se deixarmos o ego de lado; o quanto o nosso planeta precisa de nós, não pra destruir, mas pra RE-construir. o quanto precisamos e necessitamos mais e mais de amor, humildade e compaixão a cada dia. o quanto o mundo está sedento de sentimentos nobres que não querem nada mais que dar e receber. RE-construir conceitos, libertar a mente, deixar fluir o positivo. Se libertar da escravidão mental que nos cerca a todo momento, nos impedindo de avançar espiritualmente.
eu queria ser outra pessoa, eu mesma, com todos prós e contras. e poses e apelos e defeitos e qualidades. e desejos e loucuras. e sair do sério, ser santa, louca, pomba-gira e padre. e mostrar pra todo munto o quanto la vie est belle.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
dorme ruazinha.
Mário Quintana
Dorme ruazinha… É tudo escuro…
E os meus passos, quem é que pode ouvi-los?
Dorme teu sono sossegado e puro,
Com teus lampiões, com teus jardins tranqüilos…
Dorme… Não há ladrões, eu te asseguro…
Nem guardas para acaso perseguí-los…
Na noite alta, como sobre um muro,
As estrelinhas cantam como grilos…
O vento está dormindo na calçada,
O vento enovelou-se como um cão…
Dorme, ruazinha… Não há nada…
Só os meus passos… Mas tão leves são,
Que até parecem, pela madrugada,
Os da minha futura assombração…
quinta-feira, 2 de abril de 2009
um coelho.
O coelho Tuelho era um pacato cidadão da Terra do Pra Sempre e Sempre. Pagava em dia todos os impostos, jogava seu lixo orgânico na coleta seletiva e obedecia fielmente a todas imendas constitucionais que o Rei Leão impunha.
Tuelho trabalhava feito uma formiga e corria mais que a lebre pra sustentar seus 150 filhos e dividir um pouco do seu tempo com sua coelhada.
E quando ele chegava em casa, apesar de todas as dificuldades, dava pra se divertir um pouco assistindo a reprise do Big Rabbit na TV Globalienoelho.
Mas o Tuelho sempre andava preocupado em como sustentar sua coelhada. Sem querer se desfazer do seu pedaço de chão ou da sua Toca Duplex, passava noites maquinando como poderia viver com mais qualidade de vida, cenouras fartas, pré-natal coelhístico e direitos decentes.
Foi quando ele percebeu que as Raposas que trabalhavam na Colina dos Ministérios e no Senado Federal da Terra do Pra Sempre e Sempre eram, na realidade, sangue-sugas dos moradores da Terra do Pra Sempre e Sempre; e percebeu que aquilo nunca iria mudar, afinal, tudo na Terra do Pra Sempre e Sempre era PRA SEMPRE!
A Srª. Tuelha começou a reclamar da vida e o pobre do Sr. Tuelho que dava das cenouras o coração para sustentar sua família, já não sabia mais o que fazer.
Foi quando o Sr. Tuelho se revoltou: Aparou o bigode, fez cabelo black power, colocou alargador, começou a frequentar festas raves, levou seus filhos pra ver o show do Rabbit Marley (que inclusive, eles adoraram), deu um matinho pra Srª. Tuelha relaxar, se formou (ironicamente) na Faculdade Federal da Província Tuelândia em Engenharia da Cenoura, ficou rico e passou a não dar a mínima pro Estado Soberano da Terra do Pra Sempre e Sempre.
Não sei porque, mas acho que já li essa história em algum lugar!
Tuelho trabalhava feito uma formiga e corria mais que a lebre pra sustentar seus 150 filhos e dividir um pouco do seu tempo com sua coelhada.
E quando ele chegava em casa, apesar de todas as dificuldades, dava pra se divertir um pouco assistindo a reprise do Big Rabbit na TV Globalienoelho.
Mas o Tuelho sempre andava preocupado em como sustentar sua coelhada. Sem querer se desfazer do seu pedaço de chão ou da sua Toca Duplex, passava noites maquinando como poderia viver com mais qualidade de vida, cenouras fartas, pré-natal coelhístico e direitos decentes.
Foi quando ele percebeu que as Raposas que trabalhavam na Colina dos Ministérios e no Senado Federal da Terra do Pra Sempre e Sempre eram, na realidade, sangue-sugas dos moradores da Terra do Pra Sempre e Sempre; e percebeu que aquilo nunca iria mudar, afinal, tudo na Terra do Pra Sempre e Sempre era PRA SEMPRE!
A Srª. Tuelha começou a reclamar da vida e o pobre do Sr. Tuelho que dava das cenouras o coração para sustentar sua família, já não sabia mais o que fazer.
Foi quando o Sr. Tuelho se revoltou: Aparou o bigode, fez cabelo black power, colocou alargador, começou a frequentar festas raves, levou seus filhos pra ver o show do Rabbit Marley (que inclusive, eles adoraram), deu um matinho pra Srª. Tuelha relaxar, se formou (ironicamente) na Faculdade Federal da Província Tuelândia em Engenharia da Cenoura, ficou rico e passou a não dar a mínima pro Estado Soberano da Terra do Pra Sempre e Sempre.
Não sei porque, mas acho que já li essa história em algum lugar!
sexta-feira, 20 de março de 2009
chega.
eu não aguento mais amar e não ser amada.
eu não aguento mais viver nessa cidade.
eu não aguento mais a indiferença das pessoas.
eu não aguento mais falta do que fazer.
eu não aguento mais gente invejosa.
eu não aguento mais hipocrisia.
eu não aguento mais ser usada como degrau.
eu não aguento mais falta de compaixão.
eu não aguento mais ser boazinha.
_
eu que não amo você.
envelheci dez anos ou mais no último mês.
• Engenheiros.
eu não aguento mais viver nessa cidade.
eu não aguento mais a indiferença das pessoas.
eu não aguento mais falta do que fazer.
eu não aguento mais gente invejosa.
eu não aguento mais hipocrisia.
eu não aguento mais ser usada como degrau.
eu não aguento mais falta de compaixão.
eu não aguento mais ser boazinha.
_
eu que não amo você.
envelheci dez anos ou mais no último mês.
• Engenheiros.
quinta-feira, 19 de março de 2009
passeando.
e lá vai Deus
sem sequer saber de nós.
saibamos pois,
estamos sós.
_
estou cansado de bater e ninguém abrir...
e então? a culpa é de quem ?
Passeando - Marcelo Camelo/ Quase sem querer - Renato Russo.
sem sequer saber de nós.
saibamos pois,
estamos sós.
_
estou cansado de bater e ninguém abrir...
e então? a culpa é de quem ?
Passeando - Marcelo Camelo/ Quase sem querer - Renato Russo.
quarta-feira, 18 de março de 2009
e agora?
eu não vejo mais graça nas minhas fotos. o meu coelho de pelúcia tá encardido devido ao tempo. eu já não tenho mais medo do papai noel como naquela foto. minha escrita melhorou bastante nesses últimos anos e eu não uso mais caderno de caligrafia. também aprendi a andar de bicicleta e, principalmente, a como andar sem ela. o meu príncipe não é nada parecido com aquela coisa de cavalo branco e armadura; aliás, no conto de fadas real da minha vida ele não fica com a princesa.
meu incenso parou de queimar. já sei as faixas de todos aqueles cds. todos os livros da estante já foram lidos. ainda não aprendi a não perder as coisas, principalmente a não perder a conta dos meus sentimentos. depois de ler 'O mundo de Sofia' três vezes ainda me sinto como ela no final da história - fora da página, à margem da história. eu ainda calço o mesmo número de dois anos atrás mas o meu rosto reflete o desgaste de todas as mudanças para compensar tudo que eu não cresci, tudo que não vivi.
tenho deixado de ler quadrinhos pra ler kerouac, leminski ou para ler... quadrinhos.
a árvore da rua com sementinhas que estoram debaixo do meu pé foi cortada. o sol agora reflete toda a luz que ela absorvia, transformando a minha rua em uma rua qualquer.
aprendi a fazer artesanato hippie e meus amigos têm me abandonado com certa frequência pra morar em outros lugares... mas um terço deles ainda me ligam - o que me deixa feliz e satisfeita levando em consideração a situação do mundo hoje.
o meu sorriso reflete a frustração de uma procura intensa pelo que eu ainda não descobri.
e ainda não descobri como me dividir em pedaços e me entregar um pra cada um dos meus amigos de outros estados.
me perco nos segundos, nas horas, nos dias, na semana, nos sonhos, no meu bairro.
eu ainda gosto de cristais e de ler meu mapa astral sempre pra poder lembrar do meu carma.
mas eu não fico mais satisfeita com as respostas que eu tenho e com os diversos 'porque sim' e 'porque não' que a vida têm me dado.
o mar daqui é bom. o mar de lá é melhor ainda. o mar de lá com ele é lindo. o mar daqui sem ele não é mar. é má.
eu to cansada de abaixar pra amarrar o tênis e deixar minha vida cair no chão.
meu incenso parou de queimar. já sei as faixas de todos aqueles cds. todos os livros da estante já foram lidos. ainda não aprendi a não perder as coisas, principalmente a não perder a conta dos meus sentimentos. depois de ler 'O mundo de Sofia' três vezes ainda me sinto como ela no final da história - fora da página, à margem da história. eu ainda calço o mesmo número de dois anos atrás mas o meu rosto reflete o desgaste de todas as mudanças para compensar tudo que eu não cresci, tudo que não vivi.
tenho deixado de ler quadrinhos pra ler kerouac, leminski ou para ler... quadrinhos.
a árvore da rua com sementinhas que estoram debaixo do meu pé foi cortada. o sol agora reflete toda a luz que ela absorvia, transformando a minha rua em uma rua qualquer.
aprendi a fazer artesanato hippie e meus amigos têm me abandonado com certa frequência pra morar em outros lugares... mas um terço deles ainda me ligam - o que me deixa feliz e satisfeita levando em consideração a situação do mundo hoje.
o meu sorriso reflete a frustração de uma procura intensa pelo que eu ainda não descobri.
e ainda não descobri como me dividir em pedaços e me entregar um pra cada um dos meus amigos de outros estados.
me perco nos segundos, nas horas, nos dias, na semana, nos sonhos, no meu bairro.
eu ainda gosto de cristais e de ler meu mapa astral sempre pra poder lembrar do meu carma.
mas eu não fico mais satisfeita com as respostas que eu tenho e com os diversos 'porque sim' e 'porque não' que a vida têm me dado.
o mar daqui é bom. o mar de lá é melhor ainda. o mar de lá com ele é lindo. o mar daqui sem ele não é mar. é má.
eu to cansada de abaixar pra amarrar o tênis e deixar minha vida cair no chão.
segunda-feira, 16 de março de 2009
mais um.
quando mente e coração não estão de acordo, nossa vida fica bagunçada.
é como se passasse um furacão tirando tudo do lugar e deixando migalhas,
restos; pedaços de coisas grandes que nos fazem continuar; restos de coisas grandes que nos insistem em atrapalhar o caminho.
andar, andar pra frente. andar pro futuro. andar, caminhar para a felicidade.
a nossa vida é como um sistema de portas de segurança:
a segunda porta só abre se a primeira porta estiver fechada.
por isso, devemos perceber que nem sempre as portas estão fechadas pra nós devido ao próprio destino ou ao mau humor divino.
devemos primeiramente permitir que a primeira porta se feche para só então abrir a segunda.
sem dúvidas, o nosso maior medo é fechar a primeira e perceber que a segunda não se abriu.
mas uma segunda porta SEMPRE se abre.
"andar com fé eu vou que a fé não custuma faiá..."
é como se passasse um furacão tirando tudo do lugar e deixando migalhas,
restos; pedaços de coisas grandes que nos fazem continuar; restos de coisas grandes que nos insistem em atrapalhar o caminho.
andar, andar pra frente. andar pro futuro. andar, caminhar para a felicidade.
a nossa vida é como um sistema de portas de segurança:
a segunda porta só abre se a primeira porta estiver fechada.
por isso, devemos perceber que nem sempre as portas estão fechadas pra nós devido ao próprio destino ou ao mau humor divino.
devemos primeiramente permitir que a primeira porta se feche para só então abrir a segunda.
sem dúvidas, o nosso maior medo é fechar a primeira e perceber que a segunda não se abriu.
mas uma segunda porta SEMPRE se abre.
"andar com fé eu vou que a fé não custuma faiá..."
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